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Back to EpisodesEspecialista minimiza risco de intervenção militar em pleino nos EUA, mas teme contestação de resultados
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A duas semanas das eleições legislativas nos Estados Unidos, governo de Donald Trump intensifica ações judiciais contra estados e suspeitas de fraude eleitoral. Especialista ouvido pela RFI afirma que autoridades locais estão preparadas para garantir a votação.
Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York
A menos de duas semanas das eleições legislativas de 3 de novembro nos Estados Unidos, autoridades eleitorais enfrentam uma nova onda de ameaças, enquanto o governo do presidente Donald Trump intensifica ações judiciais para questionar registros de eleitores e impedir a contagem de determinados votos. Apesar das tensões e das especulações sobre uma possível intervenção federal, o especialista em eleições David Becker afirma estar confiante de que a votação ocorrerá normalmente e que os candidatos eleitos tomarão posse.
Em entrevista à RFI, Becker, diretor-executivo e fundador do Center for Election Innovation & Research (CEIR), organização apartidária dedicada à integridade eleitoral, disse que as autoridades estaduais e locais estão preparadas para enfrentar eventuais tentativas de interferência da Casa Branca.
"Estou absolutamente confiante de que, independentemente de quem vença essas disputas, os eleitos tomarão posse graças ao trabalho das autoridades eleitorais estaduais e locais, republicanos e democratas de todo o país", afirmou.
A avaliação contrasta com o aumento das preocupações sobre as medidas que Trump poderia adotar antes, durante ou depois da votação. Entre os cenários levantados por aliados do presidente e discutidos publicamente estão a declaração de uma emergência nacional, a mobilização de forças federais e até a imposição de lei marcial.
Becker reconhece que não é possível prever todas as iniciativas da administração Trump, mas considera improvável que eventuais tentativas de intervenção consigam impedir a realização das eleições.
"Em nossos 250 anos de história, nunca adiamos ou cancelamos uma eleição federal. Nem durante a Guerra Civil, nem durante duas guerras mundiais, nem durante duas pandemias globais", destacou.
Outro obstáculo seria o próprio calendário constitucional. Os mandatos dos integrantes da Câmara dos Representantes terminam em 3 de janeiro, e não existe previsão de prorrogação automática caso as eleições não sejam realizadas.
"Se deixarmos todo esse barulho de lado e observarmos como o processo de votação está acontecendo, veremos que tudo está transcorrendo de maneira incrivelmente tranquila", disse Becker.
Governo federal e estados travam disputas sobre regras eleitorais
A administração Trump tem buscado ampliar sua atuação sobre o processo eleitoral, cuja organização é atribuída principalmente aos estados pela Constituição americana.
Segundo Becker, nos últimos 21 meses, o governo tentou impor mudanças nas regras eleitorais por meio de duas ordens executivas, apresentou ações judiciais para obter dados de eleitores de dezenas de estados e promoveu investigações sobre eleições anteriores. Diversas iniciativas foram bloqueadas pela Justiça, incluindo decisões de magistrados nomeados pelo próprio Trump.
Para Becker, a relação entre Washington e as autoridades eleitorais estaduais atravessa uma situação sem precedentes recentes. Historicamente, segundo ele, governos federais de ambos os partidos atuaram em cooperação com os estados na organização das eleições. A atual administração, em sua avaliação, tem adotado uma postura de confronto.
O especialista considera que as tentativas de intervenção podem continuar, mesmo diante das derrotas judiciais. Uma das principais preocupações é a possibilidade de Trump voltar a fazer acusações infundadas sobre a integridade do processo eleitoral durante a apuração dos votos.
"Acho que uma coisa podemos afirmar com quase toda a certeza: na noite de 3 de novembro, muito provavelmente ouviremos o pres