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Back to EpisodesPrisão de chefe da inteligência alemã por espionagem acende alerta entre aliados
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A prisão do ex-chefe do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha está despertando forte reação no país e em seus aliados. August Hanning foi detido na terça-feira (6) sob suspeita de espionagem e tentativa de traição. Ele teria obtido informações secretas e compartilhado com pelo menos um país estrangeiro depois de deixar o cargo. As agências de inteligência britânicas e americanas estão investigando se informações e até mesmo suas próprias fontes foram comprometidas pelo vazamento.
Gabriel Brust, correspondente da RFI Brasil em Düsseldorf, Alemanha
O que a Alemanha descobriu esta semana é que o homem que chefiou o seu Serviço Federal de Inteligência entre 1998 e 2005 obteve ilegalmente cerca de 2 mil documentos depois que deixou a agência, até pelo menos 2022. August Hanning, que hoje tem 80 anos, foi preso na região da Renânia do Norte-Vestfália, e o seu cúmplice, o homem que vazava os documentos para ele, foi preso na Baviera.
O caso foi descoberto durante as investigações de outro crime não relacionado. A polícia investigava August Hanning por envolvimento com o caso da milionária Christina Block, herdeira de uma rede de churrascarias bem famosa aqui da Alemanha. Ela era acusada de ter encomendado o sequestro de seus dois filhos mais novos no final de 2023, na Dinamarca, em uma disputa pela guarda das crianças com o pai.
Quando a polícia fez uma devassa no computador de August Hanning por causa desse caso, acabou descobrindo os milhares de documentos que ele obtinha ilegalmente do Serviço de Inteligência. A partir daí, foi só puxar o fio para desvendar o que pode se transformar na maior história de espionagem e traição da história recente da Alemanha.
País beneficiado
O ex-chefe do Serviço de Inteligência alemã August Hanning atuava no setor privado como consultor de segurança quando esses vazamentos teriam ocorrido. O ministério público diz que ele usou informações confidenciais para preparar uma análise para um funcionário de um serviço de inteligência estrangeiro.
O caso surgiu justamente num momento de forte preocupação com a espionagem russa na Alemanha. Mas os investigadores indicam que, neste episódio, não se trata do regime de Vladimir Putin. Segundo investigação da revista Der Spiegel, o país em questão seria o Azerbaijão. Hanning tinha relações antigas com o país, tendo sido membro do conselho do Fórum Alemão-Azerbaijano. Entre os documentos supostamente obtidos estariam informações sobre o programa nuclear iraniano e as forças militares russas.
Depois que deixou o cargo de chefe do Serviço de Inteligência, Hanning ainda trabalhou como Secretário de Estado no Ministério Federal do Interior, até 2009, quando passou para a iniciativa privada. Os vazamentos se davam através de seu ex-chefe de gabinete, que é chamado pela investigação de Manfred D. Ele trabalhou no serviço de inteligência até o início deste ano. O acordo entre os dois teria sido selado em 2010 e teria durado pelo menos até 2022.
EUA e Inglaterra fazem auditoria
A notícia caiu como uma bomba justamente na semana em que o atual chefe do serviço de inteligência, Martin Jäger, disse que a ameaça de ataques contra alvos na Alemanha continua real e presente e que “a Alemanha corre o risco de se ver envolvida em um conflito violento com a Rússia”.
A agência de inteligência britânica, assim como diversas agências americanas, planejam realizar uma revisão interna sistemática de todas as informações sensíveis compartilhadas com aliados europeus durante o período em questão. Também há uma forte cobrança dos partidos da coalizão do governo por mudanças e fiscalização no Serviço de Inteligência.
O chanceler Friedrich Merz já tinha uma proposta de reforma no serviço, mas seu próprio partido agora