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'Sinto que não vou poder voltar a ser quem eu era', diz sobrevivente brasileira do 7 de Outubro em Israel

Published 1 week, 5 days ago
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Três anos depois, Israel ainda tem muitas feridas abertas desde os ataques de 7 de Outubro de 2023. Às vésperas das primeiras eleições gerais desde a ação do Hamas que mudou o Oriente Médio, a sociedade ainda está marcada. 

Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel

Se para o resto do mundo o foco está na Faixa de Gaza, nas mortes de milhares de palestinos e nas frentes de guerra que continuam em aberto, em Israel é como se o tempo tivesse parado.

“Nós, enquanto sociedade, falamos do 7 de Outubro como se fosse ontem. Ou hoje. O governo e o país não pararam (para refletir). E só quando se para e se reconhece que algo aconteceu, é possível iniciar o processo de luto pelo que se perdeu”, afirma Tuli Flint, um dos principais especialistas israelenses em estresse pós-traumático.

Do ponto de vista político, os ataques também tiraram a questão palestina do debate interno em Israel. 

“O país virou-se à direita. Todo a discussão em torno dos palestinos já não está na agenda. Mesmo na esquerda este assunto não é mais parte da discussão. Isso talvez represente um sentimento do público de falta de confiança na possibilidade de haver uma mudança significativa ou de que esta não é questão mais urgente neste momento”, diz Guy Ben-Porat, especialista em política comparada e sociologia política na Universidade Ben-Gurion do Neguev. 

O Ministério da Defesa de Israel e o Instituto Nacional de Seguros divulgaram os números atualizados de mortos desde os ataques do Hamas: 1.029 civis assassinados, além de 1.153 membros das forças de segurança.

Do outro lado da fronteira, o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, registra 74 mil mortos. O ministério não diferencia civis de combatentes.

Cenário político

A menos de 20 dias das eleições, a taxa de aprovação do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu continua em tendência de queda. Dados do Instituto de Democracia de Israel (IDI) mostram que a desaprovação pessoal dos israelenses ao primeiro-ministro oscila entre 57% e 60%.

O Índice de Democracia de Israel aponta que apenas 26% dos cidadãos declaram que se sentem plenamente representados pelo atual sistema político, o número mais baixo registrado desde 2003.

Apesar disso, segundo as pesquisas, o Likud, partido liderado por Netanyahu, ainda consegue obter cerca de 20 dos 120 mandatos do Knesset, o parlamento. O número é inferior ao conquistado nas duas eleições anteriores, em 2022 e 2021, quando o partido obteve, respectivamente, 32 e 30 assentos.

No entanto, as sondagens também apontam que, mesmo com 20 assentos, a legenda liderada por Netanyahu deverá ser a segunda força no Knesset, atrás apenas do recém-criado Yashar, partido de centro-direita liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot.

“A votação não é sobre o dia 7 de Outubro, sobre a Reforma Judiciária, ou sobre o recrutamento dos Haredim (os judeus ultraortodoxos) para o exército; é sobre se o eleitor odeia mais a direita ou a esquerda. Árabes ou judeus. Netanyahu é muito hábil em transformar o medo em ódio”, diz Uriel Abulof, professor de Ciências Políticas na Universidade de Tel Aviv e na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.

Netanyahu muda de estratégia

Se nas eleições anteriores a campanha de Netanyahu procurava demonstrar o seu acesso a líderes internacionais, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e até o presidente russo, Vladimir Putin, agora o foco é enviar uma mensagem clara aos eleitores. 

No enorme cartaz exposto num edifício em Tel Aviv, uma montagem apresenta lado a lado o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, o preside

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