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Back to EpisodesArgentina: radiografia do país com mais votos brasileiros na América Latina
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Buenos Aires é a cidade latino-americana com mais eleitores brasileiros. O perfil majoritário do voto brasileiro na Argentina é jovem, feminino e de alta escolaridade. Uma consultoria local divulgou uma pesquisa sobre o eleitorado brasileiro e aponta a tendência de votos.
Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires
A maior quantidade de brasileiros na América Latina fica no Paraguai (270 mil), deixando a Argentina (70 mil) em segundo lugar. Mas no que se refere a eleitores, as posições se invertem: Buenos Aires é a cidade latino-americana com mais brasileiros votantes (11.873 eleitores), enquanto, em segundo lugar, com menos da metade, vem a paraguaia Cidade do Leste (5.102), na fronteira com o Brasil.
México (3.975), Bolívia (3.627), Chile (3.569) e Uruguai (3175) completam a lista dos países, mas bem longe do Paraguai (9.225) e da Argentina (13.138), segundo o TSE.
Buenos Aires concentra 90,4% desses votos, mas também representa 12 províncias que vão desde a fronteira com o Brasil até a Terra do Fogo, no extremo Sul do continente.
As mulheres representam dois de cada três eleitores na Argentina (66%).
Os jovens, de 25 a 29 anos de idade, são os mais numerosos, contabilizando 22,5% do total. Somadas faixas etárias até 39 anos, eles atingem 60% do eleitorado na Argentina.
Esse perfil é mais jovem do que o voto brasileiro no exterior em geral e está associado à grande quantidade de universitários e a profissionais no âmbito do Mercosul. Essa juventude explica que 75,6% seja solteiro.
Entre universitários e formados, há 56,7% dos eleitores. Somados aos que tem o ensino médio completo, são quase 90%, uma proporção de escolaridade superior à média do voto brasileiro no exterior.
Além de Buenos Aires, haverá zonas eleitorais em outras quatro cidades: Córdoba, Mendoza, Paso de los Libres e Puerto Iguazú, essas duas últimas na fronteira com o Brasil.
A sede da votação em Buenos Aires abrange doze províncias, enquanto a de Mendoza, três; a de Puerto Iguazú, duas e a de Córdoba, sete.
Em Buenos Aires, são 15 seções, com 30 urnas. Nas demais cidades, apenas uma urna.
Queda de eleitores
Entre 2018 e 2022, o número de eleitores aumentou em 78%, graças à uma campanha do Núcleo do PT na Argentina para transferência do título de eleitor. Nenhum outro partido tem representação no país.
Em 2018, Jair Bolsonaro ganhou as eleições no primeiro turno com os votos dos universitários, mas, no segundo turno, perdeu para Fernando Haddad, quem obteve 53,4% dos votos válidos.
A chegada de Bolsonaro ao poder levou os militantes do PT na Argentina a se dedicarem a reverter aquela derrota, mapeando a comunidade brasileira e fazendo uma campanha de conscientização sobre a importância da participação popular.
“Essas contribuições fortalecem o trabalho da Secretaria de Relações Internacionais e ampliam a capacidade do partido de formular estratégias de integração e participação que correspondam às necessidades reais de brasileiras e brasileiros no exterior”, explica um relatório produzido pelas coordenadoras do Núcleo Danielle Santana e Renata Codas.
“O princípio orientador permanece claro: migrar não significa abrir mão de direitos”, aponta o trabalho intitulado “Características Demográficas da População Brasileira Residente na Argentina”, de agosto de 2025.
Entre 2022 e agora, o número de eleitores inscritos na Argentina aumentou em apenas 392 pessoas, embora a campanha tenha continuado até o prazo de 6 de maio para a transferência do título.
“Em 2026, temos 5,28% eleitores a menos em Buenos Aires do que em 2022”, observa o cônsul-geral do Brasil em Buenos Aires, Raymundo Magno.
A população brasileira tem se reduzi