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Back to EpisodesEspanha propõe medidas emergenciais em resposta aos protestos contra a crise habitacional
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O governo da Espanha anunciou nesta terça-feira (29) a suspensão dos despejos por inadimplência até 2030 e a renovação automática dos contratos de aluguel, em uma tentativa de conter a crise habitacional que atinge o país. A população espanhola se mobiliza há dias, motivada pela situação de Maricarmen Abascal, 87 anos, despejada na semana passada, após sete décadas no imóvel, pela nova empresa proprietária do apartamento onde vivia.
Ana Beatriz Farias, correspondente da RFI em Madri, e AFP
O caso de Maricarmen levou milhares de pessoas às ruas em defesa do direito à moradia e intensificou a pressão sobre o governo para avançar com um novo decreto relacionado à habitação.
Um acordo foi fechado na segunda-feira (28) entre a empresa Urbagestión e os representantes de Maricarmen, depois de mais de quatro horas de reunião mediada pela Empresa Municipal de Habitação de Madri. As partes chegaram a um entendimento para que seja assinado um novo contrato de aluguel e Maricarmen possa voltar ao apartamento, caso esteja de acordo com as condições.
O Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madri, organização à frente dos protestos, já afirmou que o acampamento reivindicativo que acontece na capital continua porque as demandas apresentadas vão muito além do caso Maricarmen.
Depois de o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, prometer que medidas emergenciais seriam anunciadas nesta terça-feira para conter a crise, a ministra da Saúde, Mónica García Gómez, publicou no X novas normas que visam à suspensão dos despejos por inadimplência até 2030 e à renovação automática dos contratos de aluguel, após difíceis negociações dentro da coalizão governista.
Elas fazem parte de dois projetos apresentados pelo Executivo, que ainda precisam ser aprovados pelo Parlamento, onde o governo do socialista Pedro Sánchez não dispõe de maioria.
A ministra informou ainda que o governo pretende implementar, dentro desse pacote de medidas, a proibição da compra de imóveis por fundos especulativos, conhecidos na Espanha como fundos abutres.
Esses fundos de investimento, assim como as plataformas de aluguel turístico de curta duração, como o Airbnb, são alvo de críticas dos movimentos em defesa do direito à moradia. Segundo os manifestantes, a prática contribui para a disparada dos preços ao adquirir imóveis no país e reduzir a oferta de habitação.
O governo também prevê, entre outras iniciativas, regular os aluguéis de temporada e o aluguel de quartos, segundo Mónica García Gómez.
Gota d’água da crise da moradia na Espanha
O caso Maricarmen foi o estopim de um problema que já vinha provocando muita insatisfação na Espanha, sobretudo nas grandes cidades.
Depois do despejo, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas em diferentes regiões do país. Em Madri, parte dos manifestantes permanece acampada na Praça Puerta del Sol, no centro da cidade, para pressionar o governo por medidas mais duras relacionadas ao direito à moradia.
Os números ajudam a entender esse descontentamento. Segundo a OCDE, entre 2015 e 2025, o acesso à moradia ficou cerca de 25% mais difícil na Espanha quando comparado à evolução da renda da população. Ao mesmo tempo, 26,8% dos inquilinos destinam mais de 40% da renda ao pagamento do aluguel, incluindo despesas de manutenção e serviços, segundo dados de 2025 da agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat.
Governo negocia novo decreto de habitação
Nesta terça-feira (29), o Executivo de Pedro Sánchez tenta levar ao Conselho de Ministros um novo decreto sobre habitação.
O Partido Socialista de Sánchez e seu