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Back to EpisodesLula vai abrir Assembleia da ONU com defesa do multilateralismo e da soberania brasileira
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Presidente brasileiro será o primeiro chefe de Estado a discursar nesta terça-feira (22), em Nova York, seguido por Donald Trump; encontro acontece em meio a conflitos internacionais, crise financeira da ONU e processo de escolha do sucessor de António Guterres.
Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre nesta terça-feira (22), em Nova York, o debate de líderes da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O brasileiro deve levar à tribuna uma defesa do multilateralismo, da soberania dos países e de uma reforma da ONU, em um momento marcado pela multiplicação de conflitos internacionais e por questionamentos sobre a capacidade da organização de responder às crises globais.
O debate geral reúne quase 130 chefes de Estado e de governo e se estende até 28 de setembro. O tema escolhido para esta edição é “Restaurar a confiança, administrar a transformação: uma ONU que funcione para todos”.
Como manda a tradição, o Brasil será o primeiro país a discursar. Lula será seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que abre a possibilidade de que os dois se encontrem informalmente nos bastidores, embora, até agora, não exista uma reunião bilateral confirmada.
Multilateralismo e soberania
O principal eixo do discurso de Lula deve ser a defesa do multilateralismo. Segundo a diplomacia brasileira, o presidente vai apresentar a negociação como caminho para a solução de disputas internacionais e defender o respeito ao direito internacional humanitário e ao princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países.
A reforma das Nações Unidas também deve ocupar espaço importante. O Brasil defende há anos mudanças na composição do Conselho de Segurança, atualmente formado por 15 integrantes, dos quais cinco — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — têm assentos permanentes e poder de veto.
A posição brasileira é de que a atual estrutura não representa adequadamente a distribuição de poder e a diversidade do mundo contemporâneo. O tema ganha ainda mais peso diante da dificuldade do Conselho de Segurança de chegar a consensos sobre alguns dos principais conflitos internacionais.
Lula também deve abordar a defesa da soberania brasileira. A diplomacia nega que o discurso tenha caráter eleitoral, e a expectativa é de que o presidente não mencione Trump nominalmente. O brasileiro, no entanto, deve defender as instituições nacionais e rejeitar interferências estrangeiras nos assuntos internos do país.
A passagem do presidente por Nova York será curta. Depois do discurso, Lula deve retornar ao Brasil ainda nesta terça-feira.
Possível encontro entre Lula e Trump
A proximidade entre os discursos de Lula e Trump aumenta a expectativa sobre um possível encontro dos dois presidentes nos corredores da ONU.
No ano passado, os dois se encontraram brevemente nos bastidores da Assembleia Geral. Desta vez, porém, o eventual contato acontece depois de uma série de divergências públicas entre os dois governos, envolvendo comércio, tarifas, soberania e a atuação dos Estados Unidos no cenário internacional.
Na véspera do discurso, Lula voltou a criticar Trump durante uma entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional. O brasileiro disse discordar da maneira como o presidente americano governa e voltou a compará-lo a um “imperador”. Lula afirmou ainda que Trump foi eleito para governar os Estados Unidos, mas não tem o direito de governar outros países.
A questão eleitoral também apareceu na entrevista. Lula afirmou ter pedido diretamente a Trump que os Estados Unidos não interfiram no processo eleitoral brasileiro e disse que o presidente america