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Back to EpisodesVitória de partidos radicais nas eleições estaduais evidencia novo cenário político na Alemanha
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As duas eleições estaduais ocorridas na Alemanha neste domingo (20) deram vitória a dois partidos considerados radicais no espectro político: o partido de esquerda Die Linke, em Berlim, e o de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O partido do chanceler Friedrich Merz, a CDU, ficou de fora de um parlamento regional pela primeira vez na história.
Gabriel Brust, correspondente da RFI Brasil em Düsseldorf, Alemanha
As vitórias do Die Linke e da AfD representam a consolidação de um processo que começou há algum tempo: os eleitores estão abandonando as forças tradicionais de direita e esquerda e buscando partidos mais radicalizados nos dois campos. O que se vê cada vez mais é o esvaziamento dos dois partidos que dominaram a política alemã desde o pós-guerra: a CDU, pela centro-direita, e o SPD, pela centro-esquerda; a democracia cristã versus a social-democracia.
Nas votações de ontem, ficou muito claro como o Die Linke sugou votos do SPD em Berlim, e a AfD praticamente esvaziou a CDU em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Nesse estado, foram tão poucos os votos para o partido do chanceler Friedrich Merz que, pela primeira vez na história da Alemanha, a CDU ficou de fora de um parlamento regional por não ter conseguido ultrapassar a cláusula de barreira de 5%.
Coalizão de esquerda em Mecklemburgo
O resultado final na eleição regional de Mecklemburgo ficou bastante polarizado entre dois partidos, com a AfD em primeiro lugar, com 38,2% dos votos, seguida pelo SPD, com 35,5%. O segundo pelotão veio bem atrás, com o Die Linke atingindo 6,5%, os Verdes com 5,7% e a CDU com 4,9%. A vitória consolida a AfD como uma força política muito forte na região correspondente à antiga Alemanha Oriental. Há duas semanas, o partido de extrema direita também venceu a eleição na vizinha Saxônia-Anhalt, com uma votação ainda maior: 44%.
Mas, apesar da vitória de ontem, ficou um gosto amargo para a AfD porque, até poucos dias antes da eleição, as pesquisas apontavam uma vitória muito mais ampla. A atual governadora do SPD, Manuela Schwesig, conseguiu uma ascensão meteórica na reta final. Na prática, ela possivelmente conseguirá se manter no cargo, mesmo tendo chegado em segundo lugar. A coalizão mais provável será entre SPD, Die Linke e Verdes.
Berlim: vitória sem governo garantido
O governo da cidade-estado de Berlim poderá trocar de mãos, da direita tradicional da CDU para a esquerda radical do Die Linke. É uma vitória inédita do Die Linke, que chegou em primeiro lugar, mas em um cenário bastante fragmentado: o partido obteve 25,7% dos votos, seguido pela CDU, com 18,8%, pela AfD, com 16,3%, pelos Verdes, com 14,3%, e pelo SPD, com 12,1%.
A principal liderança do Die Linke em Berlim é Elif Eralp, de 45 anos, de origem turca, que concentrou sua campanha eleitoral inteiramente na questão da habitação. Ela agora tentará formar uma maioria para liderar o governo da capital, mas não será fácil, porque um dos partidos de esquerda de que precisaria para formar uma coalizão, o SPD, tem fortes restrições a posições consideradas radicais demais do Die Linke, como a socialização de empresas de habitação e declarações de alguns líderes consideradas antissemitas.
O Die Linke sofre do mesmo mal da AfD: consegue cada vez mais obter boas votações, mas não formar maiorias parlamentares para governar. O partido só conseguiu liderar um governo estadual até hoje, na Turíngia. Agora, Elif Eralp poderá repetir esse feito, mas isso não é garantido. As duas coalizões possíveis em Berlim são D