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Alemanha volta às urnas, com olhos voltados para desempenho de partido de extrema direita AfD

Published 1 month ago
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Depois da vitória, há duas semanas, no estado da Saxônia-Anhalt, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) terá mais dificuldades em repetir o bom desempenho em outras duas regiões do país neste domingo (20). Em Berlim, a AfD pode atingir sua maior votação histórica, mas aparece em terceiro nas pesquisas. Já em Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, a sigla tem reais chances de vitória, mas enfrenta uma disputa acirrada com a atual governadora.

Gabriel Brust, correspondente da RFI Brasil em Düsseldorf (Alemanha)

A Saxônia-Anhalt foi um bom exemplo de como a AfD vem obtendo vitórias apenas relativas nestas eleições regionais de setembro. No estado do centro-leste do país, o partido fez a sua maior votação na história, chegando a 43,8% dos votos. Mesmo assim, a sigla ainda patina para chegar ao poder, já que não obteve maioria absoluta. A primeira reunião do novo parlamento no estado está marcada para outubro e ainda não se sabe se haverá condições de se formar um acordo para um governo da AfD.

Neste domingo a votação ocorre em outro estado que fazia parte da antiga Alemanha Oriental, Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, e também em Berlim, que era dividida entre Alemanha Oriental e Ocidental. Em nenhum dos dois a AfD deve atingir uma votação tão alta quanto na Saxônia-Anhalt, mas deve conseguir seu melhor desempenho até então em ambos.

Nas duas últimas semanas, a popularidade do chanceler Friedrich Merz chegou a um dos níveis mais baixos desde que assumiu o governo. Isso se reflete em baixa intenção de voto no seu partido, a CDU, que representa a direita mais tradicional da Alemanha e que governa grande parte do país.

Também dominaram o noticiário local as declarações em favor da Rússia da líder nacional da AfD, Alice Weidel. Ela disse que a Alemanha deveria voltar a comprar gás russo, cortar qualquer ajuda à Ucrânia e inclusive exigir que a Ucrânia devolva a ajuda enviada pelos alemães até aqui.

A vitória da AfD na Saxônia-Anhalt foi saudada tanto por Vladimir Putin quanto por Donald Trump, que são duas figuras com baixa popularidade entre os alemães. Este é o cenário de fundo e nacional das votações deste domingo, mas o que mais pesa – assim como nas eleições para governador no Brasil – é a realidade local de cada estado.

Votação fragmentada em Berlim

Pobreza, lixo e moradia resumem bem a pauta do debate eleitoral na região da capital alemã, que é uma cidade-estado. Ao contrário da maioria dos outros países europeus, na Alemanha a capital tem um peso menor no PIB do país. Berlim é uma cidade-estado menos rica se comparada às outras metrópoles da Alemanha, como Munique, e está entre os estados alemães com maior proporção da população dependente de benefícios sociais.

Os problemas se acumulam, com deficiência de limpeza urbana e acúmulo de lixo, além de um preço de aluguel que disparou nos últimos anos. O custo da moradia foi um dos principais temas do debate entre os candidatos na quarta-feira (16).

O debate não contou com a presença do atual governador, Kai Wegner, que desistiu de tentar a reeleição. Wegner foi muito criticado pela maneira como lidou com o apagão que atingiu Berlim em janeiro deste ano, quando um grupo extremista atacou cabos de energia, deixando milhares de pessoas sem luz. Mas o partido de Wegner, a CDU, segue com boas intenções de voto.

A última pesquisa mostra uma votação fragmentada, com nenhum partido despontando na

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