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Na ONU, Lula vai insistir em soberania e rejeitar interferência externa em assuntos internos dos países

Published 1 month ago
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Em seu discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (AGNU), na próxima terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistirá no tema da soberania e vai defender a não interferência externa em assuntos internos dos países.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília

O risco de os Estados Unidos tentarem ajudar a campanha do senador do PL Flávio Bolsonaro, visto pela atual administração americana como um forte aliado, permanece no topo da lista de preocupações do governo, sobretudo diante da crise instalada no Supremo Tribunal Federal e da proximidade entre os dois candidatos nas intenções de voto, apontada pelas últimas pesquisas de opinião.

A viagem para Nova York será rápida, a última deste terceiro mandato, e com uma comitiva mais enxuta do que as anteriores. Mas o presidente não quer deixar de falar aos 193 países-membros e aos dois Estados observadores neste que pode ser seu décimo e último discurso de abertura, caso seja derrotado na eleição de outubro. Tradicionalmente, cabe ao Brasil abrir os trabalhos da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Na saída, é possível que Lula "esbarre" em Donald Trump no corredor de acesso ao plenário, já que o presidente americano discursará em seguida. Até o momento, não há previsão de um encontro bilateral entre os dois. Mas a hipótese também não está descartada. Foi o que aconteceu no ano passado, quando tiveram uma breve conversa de 39 segundos, marcada por uma "boa química", como ambos teriam confirmado depois.

O momento não é dos melhores para a relação bilateral, embora Lula e Trump tenham tido uma conversa telefônica cordial no mês passado, a pedido do brasileiro. Um encontro entre os dois ocorreria dias depois de Washington acusar o Brasil de "falhar no combate ao PCC e ao CV". Este é um dos assuntos que têm provocado tensão entre os dois países, sobretudo depois que os Estados Unidos resolveram classificar as duas facções como grupos terroristas.

E não é só. O governo brasileiro teme novas tentativas de interferência americana no processo eleitoral. Os Estados Unidos deixaram claro seu interesse no que vem sendo chamado de "onda azul" na América Latina, marcada pela ascensão de líderes de direita alinhados a Washington, o que torna a eleição brasileira ainda mais estratégica para a Casa Branca.

Risco nas redes sociais

No Palácio do Planalto, não está claro em que momento essa interferência poderia ocorrer, nem de que forma se daria. Acredita-se que o entorno de Trump, sobretudo os aliados ligados ao secretário de Estado, Marco Rubio, esteja considerando alguma iniciativa entre o primeiro e o segundo turnos.

A ideia seria evitar que uma nova ação acabasse atrapalhando o desempenho de Flávio Bolsonaro. Até recentemente, o discurso da soberania vinha rendendo pontos a Lula, que atribui ao clã Bolsonaro a responsabilidade pelo tarifaço e por outras sanções.

Com as pesquisas de opinião mostrando Lula e o filho do ex-presidente cada vez mais próximos nas intenções de voto, algumas delas até com leve vantagem para Flávio, a avaliação é de que qualquer movimento pode acabar influenciando o resultado final da eleição.

Crise no Supremo

O julgamento no STF, por exemplo, traz à tona um tema polarizador desta campanha que já havia sido alvo da atenção dos americanos: a atuação do Judiciário.

Em julho do ano passado, Trump editou um decreto presidencial por meio do qual impunha um tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras como suposta resposta ao que chamou de "caça às bruxas", em referência aos processos judiciais que levaram à prisão do ex-presidente Jair Bolsona

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