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Precisamos falar sobre o que está acontecendo com as mulheres no Brasil. _truecrime _casoscriminais _casosreais _crimes _crimesreais

Precisamos falar sobre o que está acontecendo com as mulheres no Brasil. _truecrime _casoscriminais _casosreais _crimes _crimesreais

Published 2 weeks, 2 days ago
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O Brasil nunca matou tantas mulheres pelo simples fato de serem mulheres. Em 2025, o país registrou 1.571 feminicídios — uma média de quatro mortes por dia. É o maior número da série histórica, com crescimento de 4% em relação ao ano anterior. E o que choca não é apenas o número: oito em cada dez casos são cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, e a maioria dos crimes acontece dentro da própria casa da vítima.
Em 2025, os feminicídios no Brasil bateram recorde, chegando a 1.571 casos. Isso representa 4 mulheres assassinadas por dia e um aumento de 4% em relação a 2024. São Paulo (266), Minas Gerais (149) e Rio de Janeiro (104) lideram os estados com mais casos. O perfil das vítimas também é alarmante: 62,6% são mulheres negras, e 50% têm entre 30 e 49 anos, segundo dados do Anuário da Segurança Pública.
O cenário é ainda mais grave quando analisamos a violência que antecede o feminicídio. Para cada assassinato, o Brasil registra 502 ameaças, 182 agressões físicas e 79 crimes de perseguição contra mulheres. A violência psicológica cresceu 17% em 2025, e o stalking (perseguição) teve um salto de 30%, com 123.871 casos registrados. Além disso, três em cada quatro tentativas de feminicídio ocorrem em contextos de violência doméstica — e, ao longo de 2025, foram registradas 4.189 tentativas, um aumento de 5,9%. O descumprimento de medidas protetivas, que deveria ser um freio ao ciclo de violência, também cresceu 17%.
Por trás dos números, estão histórias reais de brutalidade. Em São Paulo, Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê pelo ex-ficante. Ela morreu após quase um mês internada em estado grave. No Recife, Isabele Gomes de Macedo, de 40 anos, e seus quatro filhos, com idades entre 1 e 7 anos, foram carbonizados pelo companheiro após uma discussão. Em Samambaia (DF), Daniel Silva Vitor foi condenado a mais de 40 anos de prisão pelo feminicídio de Maria Mayanara Lopes Ribeiro, crime cometido na frente dos filhos dela, na primeira condenação do país com base na nova lei que torna o feminicídio um crime autônomo (Lei 14.994/2024).
A Lei do Feminicídio, criada em 2015, foi um marco. Mas 11 anos depois, os números mostram que a lei sozinha não é suficiente. A especialista Adélia Moreira Pessoa, do IBDFAM, afirma que "cada feminicídio acarreta famílias dilaceradas e a violação incontestável de direitos fundamentais, e esse crime não acontece de forma isolada, representando o desfecho de um ciclo de violência que, em muitos casos, já havia sido sinalizado por denúncias anteriores, pedidos de ajuda e situações do conhecimento do Estado." A violência contra as mulheres, segundo ela, "é resultado de relações de poder historicamente desiguais, perpetuadas em diferentes contextos sociais, institucionais e culturais."
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