Episode Details

Back to Episodes

Eclipse total do Sol acontece esta quarta-feira

Published 1 week, 2 days ago
Description

Contagem decrescente para o eclipse total do Sol, esta quarta-feira, 12 de Agosto. O fenómeno acontece quando a Lua passa exactamente entre a Terra e o Sol e projecta a sua sombra sobre a superfície terrestre. Em Portugal, será um eclipse parcial muito profundo, com mais de 90% do disco solar tapado pela Lua em todo o território. A totalidade será visível apenas numa pequena zona do Norte, a norte de Bragança, no Parque Natural de Montesinho.

Em entrevista à RFI, Pedro Mota Machado, astrofísico do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, ligado à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e Comissário Nacional para o Eclipse Solar 2026, explica que a raridade do fenómeno está na precisão do alinhamento entre a Lua, a Terra e o Sol.

Como a Lua é relativamente pequena comparada com a Terra e com o Sol, este cone de sombra tem um diâmetro de à volta de 300 quilómetros”, explica o astrofísico. É essa faixa estreita que define onde é possível assistir ao eclipse total. Fora dela, o eclipse é parcial, ainda que muito profundo.

Durante o eclipse total a Lua bloqueia completamente a fotosfera, a camada visível do Sol, permitindo a observação da coroa solar, uma região muito menos luminosa que se estende em torno da estrela, “só é passível de ser vista durante um eclipse total do Sol”, sublinha Pedro Mota Machado.

A discrepância entre a temperatura da superfície e a da coroa continua a ser uma das questões em aberto da ciência solar. O eclipse total constitui, por isso, não apenas um espectáculo para o público, mas também uma oportunidade para a ciência.

A experiência pode ser impressionante, mas exige cuidados. Observar o Sol sem a protecção adequada pode provocar lesões permanentes na visão. A observação do eclipse deve ser feita com óculos próprios, com filtros certificados. Óculos de sol convencionais, mesmo muito escuros, não protegem os olhos da radiação solar. Também não devem ser utilizadas radiografias antigas, CDs, DVDs ou vidros fumados. Binóculos e telescópios só podem ser usados com filtros solares adequados e sob condições de observação seguras.

O perigo é particularmente elevado porque a retina não possui receptores de dor. “Nós não nos apercebemos logo que estamos a danificar os nossos olhos”, alerta o cientista.

É também, por isso, que o momento de retirar os óculos exige cuidado: primeiro deve desviar-se o olhar do Sol e só depois retirar a protecção.

Para as crianças mais pequenas, Pedro Mota Machado recomenda uma alternativa simples: a projecção por “câmara de buraco de agulha”. Um pequeno orifício numa cartolina ou caixa de cartão permite projectar a imagem do Sol numa superfície, possibilitando acompanhar a evolução do eclipse sem olhar directamente para o astro.

Em Portugal, em Bragança espera-se uma concentração particularmente elevada de espectadores. O aeródromo da cidade será palco de um programa dedicado ao eclipse, num território que deverá receber “muitos milhares de pessoas” atraídas pelo fenómeno.

Há meses que as entidades locais se preparam para a chegada de visitantes. Mas o eclipse não é o único acontecimento astronómico do dia. Antes do nascer do Sol, será possível observar um alinhamento de vários planetas, incluindo Mercúrio, Vénus, Júpiter, Saturno e Marte. Com binóculos ou telescópios adequados, poderão ainda ser observados Urano e Neptuno.

E, já durante a noite, depois do eclipse, o céu reserva outro espectáculo: uma chuva de meteoros, das Perseidas.

Para quem ainda hesita em sair de casa ou procurar um local com boa visibilidade, Pedro Mota Machado recorda um eclipse profundo que observou no Texas, nos Estados Unidos. Diz esquecer-se de muitas coisas, mas “Eu nunca me esqueço do eclipse que tive a sorte de observar no Texas”.

Listen Now

Love PodBriefly?

If you like Podbriefly.com, please consider donating to support the ongoing development.

Support Us