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Artigo académico analisa emoções dos portugueses em França logo a seguir ao 25 de Abril de 1974

Published 3 weeks, 2 days ago
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Entre esperança e incerteza, milhares de portugueses instalados em França terão escrito para o programa "Emissão dos trabalhadores portugueses” nos meses logo após o 25 de Abril de 1974. Este era um programa dedicado à diáspora portuguesa que passava de segunda a sexta-feira na rádio francesa. 50 dessas cartas existem até hoje e o investigador português Manuel Antunes da Cunha transpôs num artigo científico as principais emoções de quem viveu a revolução à distância.

“Ici Paris, Office de Radiodiffusion Télévision Française. Emission en langue portugaise, destinée aux travailleurs portugais résidant en France”, assim começava o programa quotidiano da ORTF “Emissão dos trabalhadores portugueses” dedicado à comunidade portuguesa em França e que durou entre 1966 e 1992, apresentado por Jorge Reis. Neste programa, difundido na então rádio pública francesa, o objectivo começou por ser orientar os cada vez mais numerosos portugueses que chegavam a França nas papeladas administrativas, mais tarde na integração e depois com conteúdos adaptados à segunda geração já nascida em terras gaulesas.

Se até ao 25 de Abril de 1974, este programa não entrava em temas políticos de forma a evitar problemas diplomáticos entre o Portugal dominado pelo Estado Novo e França, após a Revolução dos Cravos, muitos portugueses escreveram a Jorge Reis para mostrar a sua felicidade, mas também a sua inquietação face aos acontecimentos políticos. Manuel Antunes da Cunha, professor na Faculdade de Filosofia e Ciência Sociais da Universidade Católica de Braga e investigador, documenta há duas décadas a imigração portuguesa em França e escreveu o artigo “Dire Avril en Exil” que explora as emoções dos portugueses no período pós-revolução estudando 50 cartas enviadas ao programa “Emissão dos trabalhadores portugueses” entre Maio e Junho de 1974.

Esta emissão iniciou-se em 1966. De facto, embora a emissão fosse feita em França e fosse ouvida em França e em Portugal, de facto, por razões diplomáticas, o Jorge Reis, que era o jornalista histórico desta emissão e que era um exilado comunista, não fazia política à antena, digamos assim. Esta emissão era exactamente para ajudar os portugueses a integrar-se em França, ajudá-los a responder às suas questões com a administração pública. As cartas que eu analiso aqui são 50 cartas enviadas ao programa entre 14 de maio e 20 de junho de 1974, isto é, logo depois do 25 de Abril. E essas cartas foram deixadas no Centro de Documentação 25 de Abril. E são interessantes porque a partir deste momento solta-se a palavra. Até aí, havia milhares e milhares de cartas que eram enviadas, mas os imigrantes portugueses não diziam tudo aquilo que pensavam, até porque a PIDE estaria também presente na imigração. E aqui, digamos, solta-se a palavra e é interessante ver e ouvir como os portugueses falam da sua necessidade de emigrar, falam da sua relação com o Estado Novo e com a distância e a saudade, com Portugal, com o futuro”, explicou o investigador em entrevista à RFI.

Manuel Antunes da Cunha estima que tenham sido enviadas milhares de cartas a esta emissão durante as quase três décadas na antena, mas a maior parte perdeu-se. As 50 que analisou no artigo “Dire Avril en exil : diaspora, médiations radiophoniques et émotions communautaires” foram depositadas no Centro de Documentação 25 de Abril, na Biblioteca de Coimbra, em Portugal.

Se há uma análise das emoções destes portugueses, entre esperança e incerteza, o académico relembra que a mobilização dos portugueses na diáspora foi visível logo em 1974, quando em Agosto, os portugueses que residiam no estrangeiro organizaram uma grande manifestação de apoio à revolução em Lisboa.

"Os imigrantes não puderam estar no 1º de Maio, na grande manifestação da liberdade. E, portanto, criou-se uma nova manifestaç

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