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Excesso de confiança ao volante é maior em países com estradas mais perigosas, como Brasil, alerta estudo

Published 4 days, 10 hours ago
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O excesso de confiança dos motoristas pode ser um perigo nas estradas. Um novo estudo global realizado pela Economist Enterprise, com o apoio da fornecedora italiana de tecnologia de freios Brembo, revela uma discrepância entre a percepção de segurança dos motoristas e a avaliação dos especialistas em segurança viária. O Brasil está entre os países com maior risco de acidentes no trânsito.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

Enquanto nove em cada dez motoristas afirmam se sentir seguros ao volante, menos da metade dos especialistas em segurança viária compartilha essa percepção. 

O estudo intitulado 'Safety in Motion: Driving Trust in Modern Mobility' (Segurança em Movimento: promovendo confiança na mobilidade moderna, em português), revela uma diferença de 45 pontos percentuais entre a percepção dos motoristas e a avaliação dos profissionais de transporte responsáveis por projetar, desenvolver e operar sistemas de mobilidade. Para os especialistas, esta “lacuna de confiança” significativa pode comprometer os esforços para reduzir as vítimas de acidentes de trânsito.

Estima-se que anualmente 1,2 milhão de pessoas morrem nas estradas do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) os acidentes de trânsito são a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos.

Para elaborar o relatório foram ouvidas mais de 6.100 pessoas, entre elas mais de mil especialistas do setor dos transportes, no Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos – que, juntos, respondem por cerca de 75% da produção global de veículos.

Jean Todt, enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para a segurança rodoviária, alertou que o excesso de confiança pode se tornar um risco à segurança em si, se incentivar os motoristas a assumirem riscos desnecessários ou a se tornarem menos atentos ao volante. “Muitos motoristas não entendem as capacidades dos sistemas de direção autônoma. Não devemos presumir que a tecnologia possa substituir nossa atenção”, disse.

Todt, que é ex-executivo da Peugeot e da Ferrari, também atuou como presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), durante a coletiva de imprensa em 8 de julho da qual a RFI participou.

Desafios de segurança

Os autores do estudo afirmam que os desafios de segurança estão mudando à medida que os veículos se tornam cada vez mais avançados e automatizados. Falhas mecânicas não são mais vistas como a principal ameaça. Apenas 3% dos profissionais do setor identificaram defeitos em veículos como uma das principais causas de acidentes.

Em vez disso, 30% afirmam que o uso inadequado ou a má compreensão dos sistemas de assistência ao motorista representam a principal causa dos problemas de segurança na mobilidade. Enquanto 24% apontam os recursos que desviam a atenção dos condutores como o risco mais relevante. Os próprios usuários também classificam seu comportamento ao volante como a principal preocupação.

Influência da publicidade

Quase dois terços dos entrevistados do setor disseram que a publicidade tende a exagerar as capacidades dos sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS), podendo assim influenciar a percepção da realidade da segurança que os veículos oferecem. Muitos acreditam qu

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