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Otan entra em nova fase após a cúpula de Ancara

Published 1 week, 5 days ago
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O encontro na Turquia terminou com demonstrações de unidade, mas também evidenciou as divergências entre Donald Trump e os aliados europeus. Em meio às guerras na Ucrânia e no Irã, a Europa acelera os planos para fortalecer sua capacidade de defesa, um movimento que pode redefinir o futuro da aliança.

Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas

A cúpula da Otan terminou em clima amigável em Ancara, mas deixou uma pergunta que deve continuar no centro das discussões nos próximos anos: qual será o futuro da aliança?

Apesar do tom conciliador adotado pelos líderes, inclusive pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o encontro expôs novamente as diferenças entre Washington e os aliados europeus justamente em um momento de instabilidade, marcado pelos conflitos na Ucrânia e no Irã.

Pelo menos no discurso, a reunião foi muito parecida com a realizada no ano passado em Haia. Trump elogiou a união entre os aliados e, em conversas a portas fechadas, garantiu que os Estados Unidos continuarão fazendo parte da Otan.

Mas o clima esteve longe de ser livre de tensões. Antes e até durante a cúpula, Trump acumulou críticas aos parceiros europeus e voltou a defender que a Groenlândia deveria estar sob controle dos Estados Unidos.

Na declaração conjunta, os líderes fizeram questão de reafirmar o compromisso com o Artigo 5º da Otan, que prevê a defesa coletiva caso um dos países-membros seja atacado. Trata-se hoje do principal fundamento da aliança.

Em Bruxelas, sede da Otan, um conceito domina boa parte das discussões estratégicas: deterrence, termo em inglês para dissuasão. A lógica é impedir um ataque antes mesmo que ele aconteça, fazendo com que um potencial adversário pense duas vezes antes de agir. Para isso, a demonstração de força e, principalmente, de unidade é essencial.

A Ucrânia também saiu fortalecida da cúpula. O presidente Volodymyr Zelensky se reuniu com Donald Trump, que indicou que deve autorizar a fabricação de mísseis Patriot pela Ucrânia. Os equipamentos são considerados fundamentais para interceptar ataques russos, e a autorização vinha sendo solicitada por Kiev há meses.

Fim do cessar-fogo com o Irã

Outro tema que dominou as conversas foi a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Durante a própria cúpula, os Estados Unidos voltaram a atacar o país, enquanto Trump anunciava o fim do cessar-fogo.

A questão já era motivo de tensão antes mesmo do encontro, já que Trump critica abertamente os europeus por não terem apoiado os Estados Unidos nesse conflito. O posicionamento oficial da Otan veio do secretário-geral da aliança, Mark Rutte, que afirmou que os ataques foram necessários diante da violação do cessar-fogo pelo Irã.

Uma Europa mais forte, uma Otan mais fraca?

Se a cúpula serviu para demonstrar unidade no curto prazo, ela também reforçou um debate que pode transformar a aliança no futuro.

Mark Rutte projeta uma Europa com mais protagonismo dentro da Otan. Mas, se os planos europeus forem levados adiante, o resultado pode ser justamente uma Europa mais forte e uma Otan mais fraca.

Trump insiste que os aliados aumentem os investimentos em defesa. O objetivo, no entanto, não é fortalecer militarmente a Europa, mas ampliar a compra de equipamentos norte-americanos. Hoje, 60% das novas armas adquiridas pelos países da União Europeia vêm dos Estados Unidos.

A médio e longo prazo, porém, esse cenário pode mudar. A estratégia europeia é fortalecer a própria indústria de defesa, investir em tecnologia militar e reduzir a dependência dos fornecedores norte-americanos. Caso esse movime

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