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Marcada por tensão entre Trump e aliados europeus, cúpula da Otan discute guerras no Irã e na Ucrânia

Published 2 weeks ago
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Os chefes de Estado e de governo dos países da Otan se reúnem hoje e amanhã em Ancara, na Turquia, para a cúpula anual da aliança militar. Com a presença de Donald Trump confirmada, os aliados discutirão temas como o aumento dos investimentos em defesa, as consequências da guerra com o Irã, a segurança no Estreito de Ormuz e os próximos passos no conflito da Ucrânia.

Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas

Apesar de ser uma reunião entre aliados, a expectativa é de que a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) seja marcada por disputas diplomáticas. Donald Trump diverge da maioria dos países-membros em praticamente todos os temas do encontro.

O presidente americano já era um crítico declarado da Otan antes mesmo de voltar à Casa Branca, mas essa relação ficou ainda mais delicada após a guerra com o Irã. Durante o conflito, países da aliança se recusaram a enviar reforços ou oferecer apoio logístico aos Estados Unidos e a Israel. Os aliados negaram o uso de suas bases aéreas e demonstraram resistência em participar das operações militares para reabrir e patrulhar o Estreito de Ormuz.

A expectativa é que Trump volte a pressionar pelo aumento dos investimentos em defesa. Na cúpula do ano passado, os membros da Otan chegaram a um acordo para elevar esse financiamento para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo uma parte destinada à defesa tradicional e outra à infraestrutura e capacidades relacionadas. Mas, segundo Matt Whitaker, embaixador dos Estados Unidos na Otan, muitos aliados ainda estão atrasados nesse compromisso. Na visão americana, a relação dentro da aliança não é equilibrada e a presença do contingente militar dos Estados Unidos na Europa também deve entrar nas discussões.

Trump tem mencionado repetidamente a possibilidade de deixar a Otan. O governo dos EUA também fala em uma profunda transformação da aliança. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, mencionou uma "OTAN 3.0", um termo que alimenta questionamentos nas capitais europeias.

Em uma tentativa de preparar o terreno para a cúpula e reduzir as tensões, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, visitou a Casa Branca. Na ocasião, afirmou que a Otan está entrando em uma nova fase, centrada em uma maior responsabilidade europeia, mas mantendo o engajamento dos Estados Unidos.

Crise inesperada entre Trump e Meloni

Outro ponto de atenção nos bastidores da cúpula será o encontro entre Donald Trump e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Até pouco tempo atrás, os dois líderes eram considerados próximos por causa da semelhança ideológica, e Meloni era vista como uma das principais interlocutoras europeias do governo republicano. Mas a relação se deteriorou após a decisão da Itália de negar aos Estados Unidos o uso da base aérea na Sicília como apoio durante a guerra com o Irã.

Trump afirmou que Meloni tem baixa popularidade na Itália por ter recusado ajudar os Estados Unidos e chegou a dizer que a primeira-ministra teria implorado por uma foto ao lado dele.

Meloni respondeu dizendo que esses ataques eram "constantes e gratuitos" e afirmou que sua proximidade com Trump certamente não ajudou sua imagem política.

Uma pesquisa realizada em abril mostrou que 35% dos italianos tinham uma visão favorável da primeira-ministra, enquanto 57% tinham uma visão negativa.

O encontro em Ancara será o primeiro entre os dois líderes desde o início da troca pública de críticas.

Guerra com o Irã

A posição de Trump é conhecida: o presidente americano queria mais apoio dos parceiros durante o conflito. Já a maioria dos países europeus avalia que Washington tentou arrastar a aliança para uma guerra que não era de interesse dos demais membros e que ainda provocou impactos econômicos globais com a alta do preço do petróleo.

Por enquanto, o cessar-fogo foi restabelecido e o tráfego marítimo pelo Estreito de Orm

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