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Back to EpisodesAcordo entre Líbano e Israel cria expectativas, mas implementação ainda é incerta
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Após o acordo firmado entre Líbano e Israel para tentar encerrar anos de tensão na fronteira, ainda há dúvidas sobre como os principais compromissos assumidos pelas partes serão implementados na prática. Questões centrais, como a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano e o desarmamento do Hezbollah, continuam cercadas de incertezas.
Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel
Há um marco histórico importante neste acordo, na medida em que os dois países declaram que reconhecem o direito mútuo de viver em paz e segurança. Israel e Líbano não mantêm relações diplomáticas, mas este pode ser um passo inicial nesse sentido.
O fato é que as negociações mediadas pelos Estados Unidos têm como foco resolver as questões mais urgentes, principalmente a ocupação israelense no sul do Líbano e também a demanda de segurança por parte de Israel, em especial do norte do território.
Israel mantém uma presença militar no Líbano desde 2024, quando passou a ocupar cinco pontos no sul do país. Mas, após o início da guerra contra o Irã e os ataques do Hezbollah, ampliou sua presença militar no sul do Líbano. A ofensiva destruiu boa parte dos vilarejos, provocou o deslocamento interno de mais de um milhão de libaneses e resultou na criação de uma faixa de segurança que avança entre cinco e dez quilômetros pelo território.
Sobre esse ponto, há duas narrativas distintas. Segundo o Hezbollah, os ataques com foguetes e drones iniciados em março deste ano são uma resposta às violações israelenses do acordo de cessar-fogo firmado em 2024.
Já Israel afirma que o Hezbollah intensificou os ataques em apoio ao Irã. Na avaliação israelense, a ofensiva está ligada à guerra iniciada no fim de fevereiro por Israel e Estados Unidos, que, em um primeiro momento, tinha como objetivo provocar a queda do regime iraniano. Como o Hezbollah é um “proxy” do Irã, um grupo aliado a Teerã, a ação do Hezbollah é considerada um ato de vingança pelos ataques contra o regime de Teerã.
Inclusive, internamente no Líbano, há o debate sobre até que ponto o Hezbollah tem interesse real na defesa da soberania libanesa ou se age para favorecer seu “patrão” iraniano.
Dúvidas sobre a retirada israelense
Israel afirma que irá permanecer no Líbano até que o Hezbollah seja desarmado. Trata-se de um processo complexo, que requer muito mais do que boa vontade entre as partes.
O Hezbollah não aceita abrir mão de suas armas. Ao mesmo tempo, o Irã afirma que o Memorando de Entendimento assinado com os Estados Unidos determina o fim das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano.
Para Israel, porém, o Hezbollah continua representando uma ameaça permanente às comunidades do norte do país, o que justifica a manutenção de tropas israelenses em território libanês.
O acordo assinado entre Líbano e Israel prevê o estabelecimento de zonas-piloto em vilarejos atualmente ocupados pelas tropas israelenses. Dessas áreas, os soldados deverão se retirar para dar lugar ao Exército regular libanês, que passará a ter a missão de conter e desarmar o Hezbollah.
Como o acordo deverá funcionar
Segundo a TV pública israelense, haverá um fórum conjunto entre militares israelenses e libaneses para estabelecer os passos de forma a que este plano saia do papel.
Os Estados Unidos deverão aprovar os nomes dos envolvidos, em especial do lado libanês, porque temem que as informações sejam encaminhadas ao Hezbollah.
Em Israel, há a expectativa de que este mecanismo permita uma coordenação em maior nível com os libaneses.
No entanto, ainda de acordo com a TV pública israelense, a avaliação de fontes do exér