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Back to EpisodesVenezuela: 'Tivemos que retirar sozinhos nossas famílias dos escombros', diz moradora de La Guaira
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Moradores de prédios atingidos pelos terremotos na Venezuela aguardam laudos sobre a segurança das estruturas e ainda não sabem quando poderão voltar para suas casas. O governo diz que pelo menos 250 edifícios foram afetados. Em La Guaira, região mais afetada pelos tremores, a 30 quilômetros de Caracas, moradores contaram à RFI que escavam os destroços dos prédios que desabaram com as próprias mãos.
Com informações de Pedro Pannunzio, de São Paulo, e Alice Campaignolle, de Caracas
O governo da Venezuela atualizou nesta sexta-feira (25) o número de mortos no duplo terremoto que atingiu o país na quarta-feira (24). "Infelizmente, já temos 589 mortos", disse a presidente interina, Delcy Rodríguez, durante uma reunião com autoridades militares e civis, transmitida pela televisão estatal. O número anterior de mortos era de 235. Pelo menos 4.300 pessoas ficaram feridas.
O Aeroporto Internacional de Maiquetía, o principal do país, em La Guaira, região mais atingida pelos terremotos, continua fechado. Durante os tremores, a pista de pouso e parte da estrutura do terminal sofreram danos, e ainda não há previsão de reabertura.
Com isso, o acesso a Caracas tem sido feito por aeroportos que permanecem em operação, como o de Valência, cidade localizada a cerca de duas horas da capital venezuelana.
Além da busca por sobreviventes, moradores de prédios atingidos convivem com a incerteza sobre quando poderão voltar para casa. Em diferentes bairros de Caracas, edifícios apresentam grandes rachaduras e ainda aguardam vistorias técnicas para avaliar as condições das estruturas. Enquanto algumas pessoas deixaram os imóveis e passaram a viver na casa de parentes ou amigos, outros permanecem em seus apartamentos, mesmo sem um laudo que ateste a segurança dos edifícios.
'Pessoas foram enterradas vivas'
A reportagem da RFI foi até La Guaira, a cerca de 30 quilômetros de Caracas, onde cerca de 50 prédios com mais de dez andares desabaram. Centenas estão afetados, com estruturas deformadas e inabitáveis. A venezuelana Francelys tem diante de si o corpo de seu padrasto, deitado sobre destroços, coberto por um lençol.
“Conseguimos deixar nosso prédio ontem. A essa altura, não resta mais ninguém lá. Mas as torres ao lado estão completamente destruídas, com pessoas que foram enterradas vivas”, diz.
Sobre a montanha de escombros, três pessoas vasculham os destroços sem equipamentos de proteção adequados, como capacetes. Não são socorristas, mas moradores em busca de seus familiares. Uma jovem conta que, na véspera, a ajuda tardou a chegar a este setor.
“Não recebemos nenhum apoio. Tivemos que nos virar para retirar nossas famílias debaixo dos escombros”, afirma, sob anonimato. “Apesar da dimensão da catástrofe, o socorro demorou demais ontem. Apenas algumas ambulâncias circulavam pelas ruas da cidade”, acrescenta.
Dois brasileiros entre as vítimas
Nesta quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou a morte de dois brasileiros. Segundo o Itamaraty, as vítimas são um homem e uma mulher. Em nota, o governo informou que presta assistência consular às famílias e manifestou pesar pelas mortes. Outros detalhes sobre a identidade das vítimas não foram divulgados.
Além dos brasileiros, seis outros estrangeiros fazem parte da lista de mortos: um homem nascido em Caracas em 1970 com nacionalidade italiana, dois espanhóis, um português e dois chineses.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta quinta-feira (25) com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e anunciou o envio de ajuda humanitária ao país.
Segundo o governo brasileiro, uma equipe formada por bombeiros e agentes da Defesa Civil será enviada nesta sexta (26) para reforçar os trabalhos de resgate. No sábado (27), a previsão é que um outro avião desembarque na Venezuela transpor