Episode Details

Back to Episodes

Referendo do Brexit completa 10 anos, em meio a nova crise política no Reino Unido

Published 4 weeks ago
Description

A votação pela saída do Reino Unido da União Europeia completa uma década nesta terça-feira (23), em meio à renúncia de mais um primeiro-ministro britânico. Dez anos depois, o cenário político continua tumultuoso: o país teve seis chefes de governo nesse período.

Yula Rocha, correspondente da RFI em Londres

Após a vitória histórica dos trabalhistas em 2024, que marcou o retorno do partido ao poder com a promessa de restaurar a normalidade, Keir Starmer – hoje um dos líderes mais impopulares do país – abre caminho para uma possível renovação interna no partido. O nome mais cotado para ocupar o cargo de primeiro-ministro é o de Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, um político carismático e que muitos acreditam estar mais alinhado aos problemas enfrentados. Ele é apontado como único capaz de conter a ascendência do arquiteto do divórcio do Reino Unido com a União Europeia, Nigel Farage, líder do Reform UK. 

Farage comanda o avanço da extrema direita e causa apreensão tanto em conservadores moderados quanto em liberais, com a pauta anti-imigratória, que continua sendo o ponto central da agenda política que motivou o Brexit. Ainda assim, uma pesquisa recente da consultoria Ipsos indica uma mudança de humor: quase 60% dos britânicos votariam hoje pelo retorno ao bloco europeu em um novo referendo. O sentimento é diferente entre residentes da Inglaterra, do País de Gales e da Escócia. Uma pesquisa do YouGov indicou que entre os escoceses a insatisfação com o Brexit sobe para 75%.

Imigração

Durante o período em que vigorou o acordo de livre circulação de mercadorias e pessoas, o número de europeus vivendo no Reino Unido subiu substancialmente. Com a aprovação do Brexit – que muita gente acreditou ser o preço a se pagar para erguer muros nas fronteiras e melhorar a economia –, o número de imigrantes, no entanto, continuou a aumentar.

Sem os europeus, as universidades passaram a recrutar estudantes internacionais de outras partes do mundo, muitos deles acompanhados de suas famílias. O sistema público de saúde também precisava – e ainda precisa – de mão de obra estrangeira para dar conta do serviço.

O governo britânico concedeu vistos humanitários a ucranianos e cidadãos de Hong Kong. Os conservadores apertaram as regras de imigração, e o fluxo de entradas e saídas foi controlado, mas esses dados não estão diretamente relacionados ao Brexit. Conflitos ao redor do mundo, além das crises climática e econômica no pós-Covid, forçaram muitos migrantes sem documentação, especialmente da África e da Ásia, a enfrentar a travessia perigosa do Canal da Mancha em embarcações precárias, chegando à Inglaterra para pedir asilo político.

Dez anos depois da votação, a questão migratória continua a dividir o país e alimenta a ascensão do partido Reform UK, de Nigel Farage.

Economia

A previsão pós-Brexit era catastrófica, e é importante também levar em conta o impacto das guerras, do tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump, e da pandemia. O país não chegou a mergulhar numa recessão, mas está mais pobre – ou menos rico – do que antes. A economia encolheu cerca de 6%, segundo o Banco Central da Inglaterra, enquanto os investimentos caíram 18%.

A União Europeia continua, de longe, a ser o principal parceiro comercial do Reino Unido, embora agora em condições menos favoráveis desde a saída do bloco, com barreiras alfandegárias, exigências sanitárias e maior regulação. A promessa de autonomia para negociar com quem bem entendesse resultou em acordos de livre comércio com Índia, Austrália e Nova Zelândia, do outro lado do mundo, mas não foi suficiente para compensar a perda de dinamismo nas trocas com os viz

Listen Now

Love PodBriefly?

If you like Podbriefly.com, please consider donating to support the ongoing development.

Support Us