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Back to EpisodesEntre esquerda e extrema direita, Colômbia pode redefinir em eleição o mapa político regional
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A Colômbia realiza o segundo turno das eleições presidenciais no próximo domingo (21). O candidato da extrema direita e advogado criminalista, Abelardo de la Espriella, sem nenhuma experiência política prévia, lidera as pesquisas. Do outro lado está o senador de esquerda e filósofo, Iván Cepeda, candidato governista para suceder o presidente Gustavo Petro. Em uma região polarizada, a Colômbia tem impacto substancial no mapa político. Nessa disputa apertada, a Copa do Mundo foi a bandeira à qual os candidatos recorreram para fazer campanha.
Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires
Esta não é a primeira vez que estão em jogo modelos diferentes na Colômbia, mas é a primeira em que as propostas são antagônicas ao extremo do espectro ideológico, com reformas que podem colocar as instituições democráticas à prova.
“Mas é também uma oportunidade para as instituições democráticas demonstrarem sua capacidade de moderar esses pacotes de reformas. O atual Congresso, eleito há três meses, está fragmentado, dificultando a aprovação de iniciativas de risco. Também a Justiça tem seu peso para impedir determinados excessos”, afirma à RFI Humberto Librado, diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade Javeriana de Bogotá.
Para o cientista político, a presença de projetos tão divergentes trouxe à discussão pública temas que antes não eram debatidos, como a agenda conservadora pró-família, os grupos armados ilegais, a imigração, a defesa da pátria, a reforma constitucional e os direitos indígenas.
“Vemos claramente certos temas que antes não eram abordados por serem considerados tabu. O debate na Colômbia sempre foi moderado. Agora, esses assuntos são muito mais visíveis, marcando a posição de cada campo político. Essa é uma diferença desta eleição”, aponta Librado.
De um lado, o ultraliberal Abelardo de la Espriella, de 47 anos, advogado criminalista e empresário que fundou o partido Defensores da Pátria há apenas um ano, propõe um programa de ajuste fiscal, desregulamentação econômica e “linha dura” contra o tráfico de drogas e a corrupção.
Espriella utiliza um discurso semelhante ao de líderes como o norte-americano Donald Trump, o argentino Javier Milei e o salvadorenho Nayib Bukele, combinando ajuste fiscal, valores conservadores e “mão de ferro” contra o crime. Ele afirma que esta eleição é a batalha dos “nunca” (os que nunca tiveram chances) contra os “de sempre”.
Em resumo, nos próximos quatro anos, Espriella quer um Estado 25% menor do que o atual.
Já o senador e filósofo Iván Cepeda, de 63 anos, integra o esquerdista Pacto Histórico, do atual presidente Gustavo Petro, responsável pelo primeiro governo de esquerda da Colômbia. Ele propõe reformas sociais, redistribuição de terras, programas para jovens e o combate à corrupção e ao tráfico de drogas com políticas de prevenção e inteligência.
Cepeda foi um dos artífices do Acordo de Paz com os guerrilheiros, assinado em 2016. Ele quer rever os tratados de livre-comércio firmados pela Colômbia, especialmente com os Estados Unidos, para proteger a produção nacional. Em síntese, defende um Estado com papel estratégico na economia.
Abelardo de la Espriella surpreendeu há três semanas ao vencer o primeiro turno com 43,7% dos votos, cerca de 660 mil votos a mais do que Iván Cepeda, que obteve 40,9%.
Vantagem para Espriella
Das últimas cinco pesquisas, quatro apontam para a vitória do candidato da extrema direita. Apenas uma indica que Iván Cepeda tem uma va