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Polarização política inédita marca eleição presidencial na Colômbia

Published 8 hours ago
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Cerca de 41,4 milhões de colombianos vão às urnas no próximo domingo (31) para escolher o novo presidente do país. Historicamente, as disputas eleitorais na Colômbia oscilam entre opções de centro-direita e de centro-esquerda. Desta vez, no entanto, o pleito traz candidatos mais radicais, da esquerda à extrema direita, aproximando o país dos cenários de polarização dos vizinhos.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Dos 11 candidatos, os dois que lideram as pesquisas representam a esquerda e a extrema direita, e prometem mudar a Constituição e adotar uma linha dura que podem conduzir o país a um cenário desconhecido. Há quatro anos, com a vitória do atual presidente Gustavo Petro a esquerda vencia pela primeira vez uma disputa eleitoral. Petro não tem a possibilidade legal de reeleição e termina seu mandato em agosto.

Seu candidato, Iván Cepeda (Pacto Histórico), rivaliza com o outro polo: Abelardo de la Espriella (Defensores da Pátria), um nacionalista de extrema direita. Cepeda corre com vantagem neste primeiro turno, mas o cenário está aberto para o segundo turno, em 21 de junho.

“Essas opções representam propostas diametralmente opostas, algo com o qual, historicamente, a Colômbia não está acostumada. O país oscilou sempre entre opções liberais tradicionais de centro, nas quais as divisões ideológicas entre direita e esquerda não eram identificadas pelos candidatos. Desde 2022, com a chegada de Gustavo Petro, experimentamos uma reconfiguração política, de alternância ideológica explícita”, diz à RFI a cientista política Paola Montilla, diretora da Escola de Governo e Políticas Públicas da Universidade Externado da Colômbia.

Desta vez, tudo mudou. Ou nem tudo. Uma terceira candidata, a senadora Paloma Valencia, representa a centro-direita tradicional e tem chances de se tornar a primeira mulher eleita do país. Seu partido, o Centro Democrático, foi fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) e mantém chances de surpreender.

Assim, o candidato governista Iván Cepeda, atualmente senador, lidera a disputa, rivalizando com o candidato da extrema direita, Abelardo de la Espriella, que se identifica com o salvadorenho Nayib Bukele, o argentino Javier Milei e o norte-americano Donald Trump.

Embora as mulheres sejam mais propensas a votar, numa proporção histórica de 58% contra 42% dos homens, as propostas com foco na diversidade sexual vêm de Iván Cepeda, reconhecido defensor dos direitos humanos, cujo pai, o legislador Manuel Cepeda, foi assassinado em 1994 por agentes do Estado com a participação de paramilitares.

Essas propostas progressistas rivalizam com as conservadoras de Abelardo de la Espriella, um advogado penalista, defensor de Alex Saab, suposto testa de ferro do venezuelano Nicolás Maduro.

Risco democrático

Paola Montilla explica que o que está em jogo é a alternância política na Colômbia, sobretudo a estabilidade da democracia. A oscilação inédita entre polos políticos é um desafio para a resistência do sistema democrático colombiano.

O mais curioso é que, apesar dessa inédita disputa ideológica, os candidatos mais radicais não participaram de nenhum debate político e deram poucas entrevistas. Aos debates foram apenas os candidatos de centro, privando os colombianos de conhecer os programas de governo dos que podem vencer a corrida eleitoral.

“Foi uma campanha eleitoral atípica devido à ausência de debates entre os principais candidatos, o que impediu a possibilidade de contrastar propostas e conhecer suas teses fundamentais”, afirma M

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