Episode Details
Back to EpisodesEleições e escândalo do Banco Master impulsionam voto pelo fim da jornada 6x1 no Brasil
Description
Parlamentares têm sido cobrados nas ruas e nas redes sociais a reduzir a escalada de trabalho. Proposta de Emenda Constitucional foi aprovada na Câmara, com apenas 22 votos contrários no primeiro turno e 19, no segundo.
Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília
Falência de negócios, queda de produção, riscos econômicos: argumentos que eram usados no século XIX em defesa da escravização de pessoas negras também são repetidos hoje por quem contesta mudanças na jornada de trabalho no Brasil.
Mas as eleições estão ajudando a sepultar a escala 6x1 e a estabelecer uma jornada de 40 horas semanais, com dois dias de folga por semana. A proximidade do pleito tem obrigado autoridades políticas a apresentar uma agenda mínima em sintonia com a população. Isso veio em meio a um cenário marcado por escândalos, como o do Banco Master, que atingiu figuras centrais do Congresso, e aos esforços do governo para ganhar popularidade.
Eleições são daqueles raros momentos em que, mesmo sopesando o poder financeiro dos grandes grupos nas doações, o voto de um trabalhador na urna conta da mesma forma que o de um grande empresário. E o primeiro grupo é bem mais numeroso.
O andar de cima também tem se movimentado nos bastidores. Após o acordo fechado entre o governo e a presidência da Câmara em torno de uma proposta com transição de apenas um ano, começaram peregrinações voltadas ao Senado.
“Empresários já procuraram o presidente do Senado, mas acredito que a PEC será aprovada também pelos senadores. Primeiro porque o mandato de 2/3 da Casa termina agora e, assim, são 54 senadores candidatos, a maioria buscando a reeleição. Segundo porque esse tema tem um forte apoio da população, talvez seja a proposição com mais apoio popular dos últimos tempos”, afirmou à RFI o senador Humberto Costa (PT/PE).
A proposta original foi apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT/MG) e previa uma jornada de 36 horas. O assunto ganhou as redes sociais num desabafo de Rick Azevedo (PSOL/RJ) – um balconista de farmácia exausto com a longa jornada, que depois virou vereador – e foi bandeira no Congresso pela atuação da deputada Erika Hilton (PSOL/SP), autora de uma PEC sobre o tema que tramitou em conjunto. Mas de repente, as mudanças passaram a ser defendidas por partidos de várias matizes.
“Nós apoiamos a escala 5x2 por acreditar que é o novo momento para o trabalhador brasileiro”, afirmou o líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (Maranhão).
“A base familiar é fundamental para nós. E acreditamos que com o trabalhador tendo mais tempo com sua família, teremos um país melhor na formação das crianças e adolescentes”, justificou o líder do Progressistas, deputado Doutor Luizinho (RJ).
Uma das cenas que viralizaram durante as discussões foi a deputada Sâmia Bonfim (PSOL/SP) mostrando um pote de óleo de peroba durante uma entrevista de Nickolas Ferreira (PL/MG), pois o parlamentar foi um árduo crítico da PEC e, ao fim, votou a favor da redução da jornada de trabalho.
“A matéria estava aí. Mas foi a dor de uma bicha de balcão e a insistência de um deputada travesti que deu voz a essa matéria, que popularizou essa pauta. Então essa vitória vai para a conta do movimento LGBTQIA+, na conta da luta das mulheres”, ressaltou Erika Hilton, ao se referir à atuação dela e de Rick Azevedo no processo.
"Não dá para descansar"
Muitos debates têm sido realizados sobre o tema na imprensa e em fóruns oficiais, com destaque para a presença de economistas, especialistas em trabalho, parlamentares, confederações patronais e de empregados.
Em meio a projeções e números apresentados pelas partes, estão aqueles diretamente atingidos pela jornada 6x1, mas que,
Listen Now
Love PodBriefly?
If you like Podbriefly.com, please consider donating to support the ongoing development.
Support Us