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Muita política e pouco futebol: entenda os motivos do desinteresse dos alemães pela Copa 2026

Published 2 days, 13 hours ago
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A seleção alemã de futebol se reúne nesta quarta-feira (27), na Baviera, para dar início à preparação para a Copa do Mundo 2026. A nationalmannschaft terá 18 dias para fazer os últimos ajustes antes da estreia no torneio, que este ano terá como países-sede o Canadá, os Estados Unidos e o México. Mas o clima na Alemanha é de pouco entusiasmo tanto com o time quanto com a organização do evento.

Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, Alemanha

O desânimo é tão evidente que se tornou tema de debate na imprensa alemã. Um comentarista do jornal Nordkurier diz que “a expectativa para a apresentação da seleção hoje está mais parecida com a de uma visita ao dentista”. Ele compara esse clima com o da Copa de 2006, quando a Alemanha sediou o torneio e o país viveu uma verdadeira euforia, com bandeiras por todos os lados e forte engajamento popular. Hoje, 20 anos depois, o entusiasmo parece distante.

Em 2014 veio a Copa disputada no Brasil e o tetracampeonato alemão, outro momento de celebração e êxtase nas ruas da Alemanha. Mas é verdade que, depois da copa do 7 a 1, a nationalmannschaft parece não mobilizar mais os seus torcedores. Este ano, não há decoração nas ruas nem eventos públicos organizados.

A cidade de Mainz, por exemplo, decidiu não organizar a exibição pública dos jogos em telões. O próprio clube local, o Mainz 05, que disputa a Bundesliga, também optou por não abrir o estádio para que os torcedores assistam às partidas em grupo, colo costumava acontecer. As autoridades e o clube justificam a decisão pelos custos adicionais com segurança e pessoal, principalmente devido ao horário mais tardio dos jogos.

Mas essa explicação não convence totalmente, já que a estreia da Alemanha está marcada para 14 de junho, às 19h. O adversário do primeiro embate, por outro lado, pode ajudar a explicar o desânimo: a pouco estrelada seleção de Curaçao.

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Anfitriões hostis

O país anfitrião é um fator relevante e difícil de dissociar do contexto político. A Copa de 2014 é frequentemente apontada como o último momento de grande mobilização na Alemanha em relação ao torneio. Desde então, as três edições seguintes foram realizadas em países percebidos como politicamente hostis por parte significativa da população alemã: a Rússia, em 2018; o Catar, em 2022; e, agora, os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, considerado o presidente americano mais impopular entre os alemães. Segundo pesquisas, 71% da população do país não veem mais os Estados Unidos como um parceiro confiável.

Apesar disso, quando os ingressos começaram a ser vendidos, a Alemanha figurou entre os países com o maior número de inscrições, atrás apenas de Inglaterra e Colômbia, e registrando, por exemplo, o dobro de pedidos em comparação com a França. No entanto, com a proximidade do torneio, o aumento dos preços afastou parte dos interessados.

Assistir aos três jogos da Alemanha na fase de grupos pode custar entre € 8 mil e € 9 mil por pessoa, considerando passagens, hospedagem e traslado. Segundo agências de viagem, a procura por pacotes para a Copa do Mundo está abaixo do esperado. Muitos torcedores alemães já optam por direcionar seus planos para a Euro 2028, que será disputada no Reino Unido e na Irlanda.

Há duas semanas, a Federação Alemã de Futebol lançou uma campanha para estimular o i

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