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Tensão na Bolívia cresce com onda de protestos contra o presidente Rodrigo Paz

Published 1 week ago
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A Bolívia completa nesta sexta-feira (22) três semanas de protestos comandados por setores que respondem ao ex-presidente Evo Morales, em sintonia com a Central Operária Boliviana. A ordem é asfixiar a capital La Paz e a cidade vizinha de El Alto com bloqueios que impeçam a chegada de alimentos, medicamentos e combustíveis.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Quatro pessoas morreram e mais de cem foram presas nos distúrbios que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz, a apenas seis meses no cargo. A guerra foi declarada no dia 1º de maio, quando a Central Operária Boliviana (COB) anunciou uma greve geral por tempo indeterminado a partir do dia seguinte. O protesto se transformou em um movimento pedindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o cargo há apenas seis meses.

No início as manifestações reivindicavam aumentos salariais de 20%, qualidade dos combustíveis, fim das privatizações de estatais (todas deficitárias) e a revogação de uma reforma nas propriedades de terras. Embora o governo tenha atendido parcialmente a essas exigências, o conflito cresceu e passou a incluir 22 bloqueios de estradas ao redor de La Paz. 

Nesta quinta-feira (21), o ministro do Trabalho, Edgar Morales, renunciou ao cargo como forma de “ajudar a pacificar o país”. No dia anterior, o presidente Rodrigo Paz havia anunciado uma reforma ministerial, visando tornar o governo “mais ágil e mais próximo dos cidadãos”. Paz também anunciou a criação de um Conselho Econômico e Social para debater com as organizações sociais as demandas populares, como a criação de empregos.

Mesmo assim, nas últimas horas, a Central Operária Boliviana fez uma nova manifestação que partiu da cidade vizinha de El Alto até o centro de La Paz. Desta vez, não houve confrontos como os registrados na segunda-feira (18), quando uma mobilização da COB somou-se a camponeses e militantes do ex-presidente Evo Morales, resultando em confronto com a polícia, em saques a comércios e agressões a civis, policiais e jornalistas.

Em reação, na quarta-feira (20), centenas de pessoas protestaram contra o movimento que promove um cerco a La Paz por meio de bloqueios de estradas. Com bandeiras da Bolívia, os manifestantes foram à Praça Murillo, em frente ao Palácio Quemado, sede do governo, e ao Palácio Legislativo para marcar um limite aos protestos que geram desabastecimento.

O advogado Fabián Valencia foi um deles. “Evo Morales cercou as cidades. Por isso, estamos sem alimentos e sem combustíveis”, acusa em declarações à RFI. “A maior parte dessas manifestações é paga”, denuncia.

A Bolívia denunciou na Organização dos Estados Americanos que “os protestos e as greves ameaçam a ordem democrática e violam os direitos fundamentais dos cidadãos”. Por “direitos fundamentais” entende-se o direito de ir e vir e o acesso a alimentos, combustíveis e medicamentos.

Desabastecimento em La Paz

Os bloqueios asfixiam La Paz do restante do país, provocando a falta de alimentos como carne, frango, ovos, laticínios e verduras. A falta de combustíveis gera filas quilométricas, com mais de cinco horas de espera por apenas um litro de gasolina ou diesel. As pessoas sofrem para encontrar alimentos básicos.

“Sofremos por falta de comida. Não há carne, frango, ovos. Só há filas em busca de comida. Faltam os produtos mais básicos. E quem mais sofre são as crianças, que ficam com fome. Os preços já duplicaram. Até quando vamos ficar assim?”, desabafa a dona de casa Susana Zelayes. Só nesta quinta-feira (21), ela tentou achar o produto em quatro supermercad

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