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Manifestação de universitários na Argentina denuncia desmantelamento da Educação promovido por Milei

Published 2 weeks, 3 days ago
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A quarta manifestação universitária durante o governo do presidente Javier Milei acontece nesta terça-feira (12), com um ato principal em Buenos Aires e mobilizações nas principais cidades da Argentina. Mais de um milhão de manifestantes são esperados em todo o país para protestar contra os cortes no orçamento da Educação pública, atualmente no menor nível da história. A mobilização ocorre no momento político mais delicado de Milei desde que assumiu a presidência.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Desde que Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023, a situação das universidades públicas só se agravou, atingindo o menor nível de investimento da história do país.

Cada manifestação universitária reúne mais de um milhão de pessoas nas ruas em todo o território argentino, evidenciando uma crescente insatisfação popular.

A pressão social levou o Congresso a aprovar leis que obrigam o governo a repassar os recursos necessários para o financiamento das universidades. Apesar disso, Milei se recusa a cumprir as medidas, alegando que a manutenção do superávit fiscal, base de seu plano econômico, é prioridade.

Em setembro de 2024, o Congresso aprovou a primeira lei de financiamento universitário, mas ela foi vetada pelo presidente argentino. Um ano depois, em agosto de 2025, os parlamentares aprovaram uma segunda proposta. Milei voltou a vetá-la, mas, dessa vez, o Congresso derrubou o veto presidencial.

A lei busca reverter os cortes no orçamento das universidades e reajustar os salários de acordo com a inflação. O governo, no entanto, segue resistindo à implementação das medidas.

A Justiça já decidiu em duas instâncias a favor das universidades. Agora, a disputa chegou à Suprema Corte. A tendência é de derrota para o governo, que tenta adiar um impacto fiscal estimado em 0,23% do PIB.

Perdas salariais

Professores e estudantes enfrentam os impactos da redução dos investimentos. O financiamento das universidades caiu 45,6% desde que o presidente argentino Javier Milei assumiu o cargo, e os salários dos professores perderam, em média, 33,7% do poder de compra.

O protesto cobra o cumprimento da lei de financiamento universitário, mas, além dessa reivindicação específica, a mobilização também expressa uma insatisfação mais ampla da população com o governo.

Em maior ou menor grau, aposentados, servidores públicos, trabalhadores do setor privado e informais acumulam perdas salariais diante da inflação. Entre os mais afetados estão os servidores e aposentados, com perdas que chegam a cerca de 35%.

Insatisfação generalizada

O protesto é convocado oficialmente pelo Conselho Interuniversitário Nacional, que reúne as 64 universidades públicas da Argentina, onde estudam cerca de 2,1 milhões de alunos.

No entanto, a mobilização também conta com a participação de sindicatos como a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), além de organizações sociais e partidos de oposição. Todos acusam o governo de tentar desmantelar a educação pública.

A manifestação ocorre no momento político mais delicado de Milei. Segundo 13 pesquisas de opinião, mais de 60% da população tem uma imagem negativa do presidente, enquanto menos de 35% declara apoio ao governo.

Um levantamento recente da AtlasIntel indica que 63% reprovam a gestão de Milei, enquanto 30,6% a consideram excelente ou boa. No total, a imagem negativa do presidente chega a 62%.

Os índices de rejeição aumentam em meio a investigações judiciais por casos de corrupção,

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