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Acordo UE-Mercosul entra em vigor e abre mercado trilionário a exportações brasileiras

Published 4 weeks ago
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Cinco mil produtos brasileiros ficaram isentos de tarifas no mercado europeu a partir deste 1° de maio. Após vinte e cinco anos de negociações, entra em vigor o acordo de livre comércio Mercosul-União Europeia. Nesta sexta-feira histórica, os líderes dos quatro países do Mercosul e os presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, participam de uma videoconferência para marcar a data.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Brasília

A Europa importa US$ 3,4 trilhões por ano. O valor é praticamente o mesmo que a soma das quatro economias do bloco do Cone Sul. Deste total comprado, a maior parte vem de dentro da própria UE, ou de nações com as quais o bloco europeu tenha acordos de preferência.

Para o Brasil é uma espécie de "entrada em um clube". Pelos cálculos da ApexBrasil, dos cinco mil produtos isentos de tarifas, 543 itens se beneficiam da vantagem logo de cara, o que deve significar um aumento nas receitas de exportações de pouco mais de US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência. Outros cinco mil produtos terão redução de impostos ao longo dos próximos anos.

À RFI, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, explicou que ingressar neste mercado é como entrar em uma sala exclusiva.

"É um mercado que importa US$ 3,4 trilhões. E isso vai acontecer cinco vezes mais rápido para o Mercosul, em um mercado que é nove vezes maior do que o mercado que os europeus vão ter aqui”, disse Müller.

A comparação se dá pelo fato de o Mercosul importar anualmente US$ 370 bilhões e de que mais produtos do Cone Sul estarem tendo tarifas zeradas neste primeiro momento do que os europeus. A União Europeia é o segundo maior importador do mundo, na frente da China, inclusive.

Sistema de cotas

Haverá cotas para alguns produtos. Vários itens, entre carnes bovinas, suínas, aves, mel, cachaça e alguns outros itens da pauta, terão cotas. Quer dizer, as exportações realizadas dentro desses limites terão tarifa zero. O que passar, não.

As cotas ainda precisam ser distribuídas entre os países, e, dentro deles, entre as regiões, ou estados. Isso agora será conversado dentro dos blocos.

O importante é que, uma vez rompida a barreira inicial, quer dizer, uma vez dentro do mercado europeu, fica mais fácil buscar as oportunidades. Isso porque os países dentro do bloco tendem a comprar muito entre si, ou de outras nações com quem tenham acordos preferenciais.

É por isso que o presidente da ApexBrasil fala em "entrar em uma sala". A Alemanha, por exemplo, a maior economia da Europa, importa US$ 1,4 trilhão por ano. Só que 70% deste total vem da própria Europa, ou desses lugares com os quais o bloco tenha acordos. O difícil, segundo Laudemir Müller, era ter o acesso.

Setores que vão decolar

Entre os setores que se destacam com maior potencial de aumento de vendas estão aviões, por exemplo. A UE importa US$ 16 bilhões em aeronaves civis por ano, a uma tarifa de 2,7%. Mas esse percentual será zerado em quatro anos. E isso faz muita diferença e pode garantir vantagem competitiva sobre preço de um avião. O Brasil é o terceiro maior produtor de aeronaves do mundo e estava fora deste mercado.

Líder mundial em motores elétricos de baixa tensão, o Brasil exportava para a UE apenas US$ 267 milhões. Mas o bloco importa quase US$ 10 bilhões por ano, também a uma tarifa de 2,7%.

Para couros, como o Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do mundo, a tarifa vai cair dos atuais 2% a 7% para zero. Hoje, o p

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