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Charles III visita os EUA em meio à crise na relação entre Londres e Washington

Published 1 month ago
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O rei Charles III inicia nesta segunda-feira (27) uma visita de quatro dias aos Estados Unidos, onde será recebido pelo presidente Donald Trump, em um momento em que a relação entre Londres e Washington, aliados históricos, está abalada. A viagem, planejada antes da guerra com o Irã, marca os 250 anos da independência americana. A segurança do monarca foi reforçada após um homem armado invadir, no sábado à noite, um jantar com a imprensa, com a intenção de atirar em Trump. Apesar do incidente, a visita foi mantida.

Yula Rocha, correspondente da RFI em Londres

Trata-se de uma viagem arriscada do ponto de vista diplomático, mas também de uma oportunidade para tentar reaquecer a chamada “relação especial” entre Estados Unidos e Reino Unido. Alguns historiadores britânicos classificam o momento como a pior crise anglo-americana em um século.

Charles III chega a Washington com a missão de apaziguar um presidente considerado imprevisível, mas que demonstra respeito e admiração pelo monarca. Tradicionalmente, a monarquia britânica defende valores como democracia, liberdade e paz, princípios que vão de encontro à atual situação geopolítica no Oriente Médio.

A visita foi organizada antes da ofensiva de Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. Após intensos debates, o compromisso foi mantido na agenda do rei, que, além de representar o governo britânico, é também comandante-chefe das Forças Armadas.

Trump tem criticado publicamente o primeiro-ministro Keir Starmer. Já chamou os porta-aviões britânicos de “brinquedos”, além de fazer outras comparações ofensivas ao que historicamente é seu principal aliado. Em uma delas, afirmou que Starmer “não é Winston Churchill”.

O rei também é chefe da Igreja Anglicana, e a imagem, posteriormente apagada, criada por inteligência artificial que mostrava Trump como Jesus não é exatamente confortável para Charles III. É nesse cenário turbulento que o rei e a rainha Camila terão de atuar.

Caso Epstein e Malvinas

O escândalo envolvendo o irmão do rei, Andrew Mountbatten-Windsor, e o pedófilo Jeffrey Epstein ainda paira sobre a monarquia.

Charles III foi criticado por se recusar a se encontrar com sobreviventes de Epstein durante a visita. Como gesto compensatório, a rainha Camila deverá conversar com vítimas de violência doméstica.

O caso também atinge o governo de Keir Starmer, que enfrentou uma semana difícil após revelações de que o embaixador indicado para Washington — também ligado a Epstein — não havia sido aprovado em processos de segurança, mas assumiu o cargo mesmo assim.

Para agravar o cenário, um e-mail do Pentágono vazado na semana passada indicou que os Estados Unidos poderiam rever o apoio ao Reino Unido na questão da soberania das Ilhas Malvinas.

O governo britânico reagiu rapidamente, reafirmando que o arquipélago — ainda alvo de disputa — pertence ao Reino Unido desde 1833, e não à Argentina.

Embora a Casa Branca não tenha se pronunciado oficialmente, o documento é interpretado como uma forma de pressionar membros da OTAN que, na visão de Trump — especialmente Reino Unido e Espanha —, não estariam oferecendo apoio suficiente à guerra contra o Irã.

Além disso, Trump é alinhado politicamente com o presidente argentino Javier Milei.

Segurança reforçada e agenda oficial

O Palácio de Buckingham e o governo americano trabalham em conjunto para garantir a segurança dos monarcas após

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