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Back to EpisodesGuerra no Irã pressiona arsenal dos EUA, apesar de extensão de cessar-fogo entre Israel e Líbano
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A guerra no Irã vem consumindo rapidamente parte dos recursos militares dos Estados Unidos, mesmo diante de sinais de arrefecimento das tensões em outros pontos da região, como a extensão da trégua entre Israel e Líbano, anunciada na quinta-feira (23) pelo presidente Donald Trump. Em uma coletiva convocada para esta sexta-feira (24), às 8h no horário de Washington, o Departamento de Defesa deve dar indicações sobre o impacto do conflito nos estoques estratégicos americanos e os próximos passos da operação “Epic Fury”, iniciada no fim de fevereiro.
Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York
Devem falar o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, principal autoridade militar do país. A expectativa é que ambos detalhem o ritmo das operações e respondam a questionamentos sobre a sustentabilidade do esforço militar em um cenário no qual a demanda por armamentos de alta precisão supera padrões históricos de consumo.
Um levantamento publicado pelo The New York Times mostra que, em pouco mais de um mês de conflito, os Estados Unidos já utilizaram cerca de 1.100 mísseis de cruzeiro de longo alcance, armamentos estratégicos tradicionalmente reservados para cenários de confronto com grandes potências, como a China.
Também foram disparados mais de mil mísseis Tomahawk – volume aproximadamente dez vezes superior ao que o país costuma adquirir em um ano –, indicando que, apesar de tréguas pontuais em outras frentes do Oriente Médio, a guerra no Irã segue impondo um desgaste significativo às capacidades militares americanas.
Esse desgaste também aparece nos sistemas de defesa aérea empregados pelos Estados Unidos. De acordo com dados citados por autoridades do Pentágono, mais de 1.200 mísseis do sistema Patriot foram utilizados desde o início do confronto. Cada interceptador custa mais de US$ 4 milhões, o que reforça as preocupações internas sobre a velocidade de reposição desses meios em caso de um conflito mais amplo ou prolongado.
O Pentágono afirma ter atingido mais de 13 mil alvos em pouco mais de um mês de guerra, mas não divulga o número total de munições empregadas nas operações. Especialistas em estratégia militar observam que a quantidade de alvos, por si só, não reflete toda a dimensão da campanha, já que uma mesma posição pode ser atacada repetidas vezes por aviões tripulados, drones, artilharia e mísseis de cruzeiro.
Além do impacto operacional, o custo financeiro da ofensiva também chama atenção em Washington. A Casa Branca evita apresentar uma estimativa oficial, mas dois centros de pesquisa independentes calculam que a guerra já tenha consumido entre US$ 28 bilhões e US$ 35 bilhões – o equivalente a quase US$ 1 bilhão por dia –, num momento em que o governo tenta equilibrar compromissos militares externos e pressões orçamentárias internas.
Trump insiste que EUA têm o controle do Estreito de Ormuz
A pressão militar ocorre em paralelo à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. Donald Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos têm “controle total” sobre a passagem, mas os acontecimentos recentes indicam um cenário mais instável.
Os dois lados intensificaram as apreensões e inspeções de navios, enquanto Donald Trump ordenou que a Marinha dos EUA afundasse todas as embarcações que estivessem instalando minas no estreito.
Na prática, hoje há um bloqueio duplo. Os Estados Unidos conseguem dificultar a saída de embarcações ligadas ao Irã, mas ainda não demonstraram capacidade de garantir a passagem segura de