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Caso Koldo: Supremo da Espanha inicia julgamento de ex-ministro, assessor e empresário em suposto esquema de corrupção

Published 5 hours ago
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Começa hoje, no Supremo Tribunal da Espanha, o julgamento de um dos maiores escândalos envolvendo o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Protagonizado por um ex-ministro, seu braço direito e um empresário, o caso investiga um suposto esquema de corrupção. As acusações incluem troca de favores e pagamentos mensais que podem ter resultado em contratações milionárias durante a pandemia.

Ana Beatriz Farias, correspondente da RFI em Madri

Um suposto esquema de corrupção que teria beneficiado o ex-ministro de Transportes da Espanha, José Luis Ábalos, e seu antigo assessor, Koldo García, é posto à prova no tribunal a partir desta terça-feira (7). Eles são acusados, entre outras coisas, de lucrar ilegalmente com a compra pública de material hospitalar durante a pandemia da covid-19, tirando proveito de que os controles estavam menos rígidos naquele contexto de emergência.

Essa suposta rede de corrupção também teria favorecido o empresário Víctor de Aldama, que supostamente obtinha, por meio do contato com o então ministro e seu assessor, informações prévias e privilegiadas sobre as necessidades de compra do governo no contexto da pandemia. Com isso, Aldama podia fechar contratos milionários por meio de uma troca de favores e pagamentos em espécie que beneficiariam Koldo e Ábalos.

Além disso, o processo analisa a contratação irregular de duas mulheres ligadas ao ex-ministro Ábalos em empresas públicas. A investigação inclui ainda o pagamento de aluguéis de diferentes imóveis, bancado por Aldama e seus sócios, para retribuir esses favores políticos.

Até 30 anos de prisão

A lista de acusações contra Ábalos e Koldo é longa. São sete delitos no total: organização criminosa, corrupção, tráfico de influência, falsificação de documentos oficiais, uso de informação privilegiada, prevaricação e desvio de verbas públicas.

O Ministério Público pede 24 anos de prisão para o ex-ministro e 19 anos e meio para o ex-assessor. Já as acusações populares, que foram unificadas sob a liderança do partido de oposição, o PP, querem uma punição mais dura: 30 anos de cadeia para os dois.

O contraste é significativo em relação ao que se pede para o empresário Víctor de Aldama. Como ele fez um acordo e confessou crimes como organização criminosa, corrupção e uso de informação privilegiada, o pedido de pena dele caiu para sete anos, tanto por parte do MP como pela acusação popular.

Há diferença também na situação atual dos três. Enquanto Ábalos e Koldo estão em prisão preventiva, o empresário Aldama responde ao processo em liberdade.

Mais de 80 testemunhas

O Supremo Tribunal reservou 13 dias para as audiências, que vão acontecer em sessões de manhã e de tarde. O processo promete ser longo porque o tribunal convocou 81 testemunhas, incluindo autoridades públicas, empresários e familiares dos réus.

A pedido da defesa, os próprios acusados falarão no final do julgamento, depois que todas as testemunhas forem ouvidas e as provas periciais forem apresentadas. Se o calendário for cumprido à risca, o empresário Aldama, o ex-assessor Koldo García e o ex-ministro Ábalos darão seus depoimentos no dia 28 de abril.

A imprensa espanhola tem repercutido as possibilidades de que o escândalo, que já impactou a estrutura do partido socialista, abale ainda mais profundamente o governo de Sánchez, mas ainda não se sabe até que ponto o suposto esquema de corrupção afetará o Executivo. Além de ex-ministro de transportes, Ábalos chegou a ser Secretário de Organização do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), ocupando lugar de destaque na sigla. 

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