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Back to EpisodesEm meio a guerras, Leão XIV marca sua primeira Páscoa como papa carregando cruz na Via Sacra
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Nesta Semana Santa, marcada pelo conflito no Oriente Médio, Leão XIV celebra a primeira Páscoa de seu pontificado. As cerimônias ocorrem um ano após a morte de seu antecessor, Francisco. O pontífice americano traz também algumas novidades na celebrações, retomando algumas tradições antigas.
Gina Marques, correspondente RFI na Itália
A primeira celebração da Páscoa sob o pontificado de Leão XIV é marcada por uma novidade de forte simbolismo. Na noite desta sexta-feira (3) durante o rito da Via Sacra no Coliseu, o papa - que tem 70 anos - carregará pessoalmente a cruz de madeira ao longo das 14 estações que narram o calvário de Jesus, da condenação à morte até o sepultamento.
A decisão de conduzir a cruz em todas as estações da Via Sacra chamou atenção por seu caráter excepcional. Em tempos recentes, nenhum pontífice portou a cruz percorrendo todas as etapas que relembram os últimos momentos da vida de Cristo.
Embora não tenha as dimensões nem o peso da cruz histórica - que segundo estimativas pesava cerca de 70 quilos - a iniciativa é voltada às dores do presente. O gesto de Leão XIV pode ser interpretado como a sua vontade de ressaltar o sofrimento de Cristo e das vítimas dos conflitos em curso, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além da devastação, dos abusos e da violência sistemática contra inocentes.
Reação do papa contra a guerra
Esta semana começou tensa devido aos conflitos na chamada Terra Santa. O Patriarca Latino de Jerusalém, o cardeal italiano Pierbattista Pizzaballa, teve sua entrada no Santo Sepulcro negada pelas autoridades israelenses, algo que não acontecia “há séculos”.
Leão XIV é o primeiro pontífice norte-americano da Igreja Católica, mas desde que foi eleito em maio do ano passado, ele evitou comentários sobre seu país natal e nunca havia mencionado publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Recentemente o papa mudou de tom e criticou abertamente a guerra do Irã. Na última terça-feira ele mencionou pela primeira vez Trump publicamente, ao pedir que o presidente americano encontrasse uma “saída” para acabar com a guerra.
Dois dias antes de fazer esse apelo direto a Trump, Leão XIV disse que Deus rejeitou as orações de líderes que iniciam guerras e têm “mãos cheias de sangue”. Os comentários foram interpretados como sendo dirigidos ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que invocou a linguagem cristã para justificar os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã que iniciaram a guerra.
Com Leão XIV retorna à tradição
O Leão XIV retomou a tradição na cerimônia do “Lava-Pés” celebrada na quinta-feira (2) na Basílica de São João de Latrão com 12 sacerdotes. O rito recria o gesto de serviço de Cristo na Última Ceia com os apóstolos. Ele rompeu com a prática de Francisco, que lavava os pés de detentos, migrantes ou pessoas em situação de rua, simbolizando o cuidado com os marginalizados.
Durante a cerimônia, Leão XIV ressaltou que a ação repete o gesto de humildade de Jesus na noite anterior à sua morte. A celebração deveria inspirar os católicos a cuidar dos necessitados.
"À medida que a humanidade é colocada de joelhos por tantos atos de brutalidade, vamos também nos ajoelhar como irmãos e irmãs ao lado dos oprimidos", disse Leão.
“Deus nos deu um exemplo não de como dominar,