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Back to EpisodesAlterações climáticas agravam insegurança hídrica em Moçambique
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O acesso à água continua a estar profundamente ligado à igualdade de género - uma relação destacada esta semana, por ocasião do Dia Mundial da Água. A efeméride colocou em evidência a necessidade de integrar mulheres e raparigas no centro das soluções para a gestão dos recursos hídricos. Em Moçambique, a data serviu de ponto de partida para uma reflexão sobre os modelos de gestão da água nas bacias hidrográficas e no saneamento. O país enfrenta um cenário de insegurança hídrica, alerta Esménio Macassa, presidente da Associação Moçambicana de Recursos Hídricos e Ambientais.
Qual é a importância de assinalar o Dia Mundial da Água junto das comunidades moçambicanas, nomeadamente mulheres e meninas?
É um momento fundamental de reflexão sobre os modelos de gestão da água, tanto ao nível das bacias hidrográficas como do saneamento. No contexto moçambicano, esta data ganha particular relevância, tendo em conta os desafios de insegurança hídrica que o país enfrenta.
Moçambique é marcado por extremos hidroclimáticos, com episódios frequentes de cheias e secas, além da existência de regiões semiáridas com escassez de água. Por isso, assinalar este dia é essencial para reforçar a necessidade de uma gestão sustentável dos recursos hídricos. Sem dúvida, trata-se de uma data de grande importância para o país.
Como é a situação do acesso à água no país e de que forma evoluiu nos últimos anos?
Registaram-se avanços significativos nos últimos anos, sobretudo ao nível do investimento público. O Governo tem apostado na expansão do acesso à água, quer através da rede nacional, quer por via do aproveitamento de águas subterrâneas, com a abertura de furos.
Actualmente, há zonas que anteriormente não dispunham de água potável e que passaram a ter acesso graças a esses investimentos. Todos os anos são construídos novos sistemas de abastecimento, tanto com base em águas subterrâneas como na rede pública.
Apesar dos progressos, persistem desafios. Ainda assim, de forma geral, a evolução é positiva, contando também com o contributo do sector privado, que tem vindo a investir no acesso a água segura para as comunidades.
Quais são os principais desafios no acesso à água potável nas zonas rurais e urbanas? E que regiões enfrentam mais dificuldades?
Os desafios são diversos, mas destaca-se a insuficiência de infra-estruturas hídricas, como barragens e reservatórios. A localização geográfica de Moçambique agrava esta vulnerabilidade, já que o país se encontra a jusante de cerca de nove rios internacionais, o que o expõe a cheias.
Durante a época chuvosa, há abundância de água, mas, no período seco, o cenário inverte-se, com escassez. Esta situação resulta, em grande medida, da limitada capacidade de armazenamento, que impede o aproveitamento da água disponível nas épocas de maior precipitação.
As autoridades têm falado na cooperação com países vizinhos para gerir cheias. Pode ser uma solução?
Sim, pode ser parte da solução. Existem já vários esforços em curso para melhorar a gestão de cheias e o acesso à água potável. Um exemplo recente é a criação de um centro de comando para sistemas de aviso prévio de cheias e secas, iniciativa do Governo através da Direcção Nacional de Recursos Hídricos.
No entanto, estas medidas devem ser complementadas com outras acções, sobretudo ao nível das infra-estruturas, para que os resultados sejam mais consistentes.
Que outras medidas considera prioritárias?
O reforço das infra-estruturas é essencial. Apesar dos avanços nos sistemas de aviso prévio e nas acções antecipadas, persistem fragilidades na capacidade de armazenamento de água.
É igualmente necessário investir em diques e barreiras de protecção para mitigar o impacto das cheias. Embora já existam algumas destas infra-estruturas, a dimensão do território e a localização do