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Back to EpisodesEscalada do conflito no Oriente Médio coloca União Europeia sob pressão
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Tensão com os Estados Unidos, divisões internas e risco de crise energética desafiam a coesão política e estratégica do bloco europeu diante do conflito com o Irã.
Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas
A União Europeia vive mais um momento de tensão interna em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. A crise diplomática entre o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou uma reação em cadeia em Bruxelas e reacendeu o debate sobre a posição do bloco diante da guerra com o Irã.
Inicialmente, a Espanha se viu relativamente isolada ao adotar uma postura firme contra as ações de Israel e dos Estados Unidos no território iraniano. A recusa de Madri em disponibilizar suas bases aéreas para operações norte-americanas levou Trump a ameaçar “encerrar” as relações comerciais entre os dois países.
Não está claro o que essa intimidação significaria na prática, mas a resposta europeia foi imediata. A Comissão Europeia divulgou comunicado expressando solidariedade à Espanha e lembrando que, por meio da política comercial comum, está pronta para agir em defesa dos interesses do bloco.
O presidente francês, Emmanuel Macron, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, também conversaram com Sánchez para reiterar apoio político.
No Parlamento Europeu, no entanto, a divisão ficou evidente. Partidos de esquerda tentaram incluir na próxima semana plenária em Estrasburgo um debate intitulado “Ameaças e sanções dos EUA contra a Espanha”, mas a coalizão de legendas de direita bloqueou a proposta.
Espanha isolada e o eixo cauteloso
No campo diplomático, a Espanha permanece praticamente sozinha na oposição aberta à guerra. Já o eixo formado por Alemanha, França e Reino Unido tem adotado uma linha mais calculada.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, esteve na Casa Branca e presenciou, em silêncio, as ameaças de Trump ao governo espanhol. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recusou-se inicialmente a participar dos ataques, mas acabou permitindo o uso de bases britânicas pelos Estados Unidos. Trump chegou a ironizá-lo publicamente, afirmando que Starmer “não é nenhum Churchill”.
Esse mesmo eixo condenou a retaliação iraniana e reiterou críticas ao regime de Teerã, sem endossar explicitamente os bombardeios norte-americanos e israelenses. A cautela reflete um dilema político: apoiar as ações de Trump e do primeiro-ministro israelense poderia ser interpretado como desrespeito ao direito internacional, princípio historicamente defendido pela União Europeia.
Ao mesmo tempo, Washington continua sendo parceiro central para a defesa europeia por meio da Otan, o que limita a margem de manobra dos governos do bloco.
Portugal também se posicionou de forma distinta da Espanha. O primeiro-ministro Luís Montenegro declarou apoio a Trump e autorizou o uso da base aérea de Lajes, nos Açores, pelas forças norte-americanas.
Von der Leyen amplia protagonismo
No alto escalão europeu, a crise também provocou movimentos inesperados. Pela primeira vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou-se a favor de uma mudança de regime no Irã, posição não endossada unanimemente pelos 27 Estados-membros.
A declaração causou surpresa porque, formalmente, a política externa da União Europeia é conduzida pela chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa. Ao assumir essa posição, Von der Leyen foi acusada por opositores no Parlamento de extrapolar suas competências e tentar ampliar sua esf