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Notas Históricas #3 (SciCast #189 Especial): Emancipação Feminina – Cavalgada das Valquírias

Notas Históricas #3 (SciCast #189 Especial): Emancipação Feminina – Cavalgada das Valquírias

Published 8 years, 9 months ago
Description

A história é cíclica. Não foi uma, nem duas, nem dez vezes que você já deve ter ouvido este chavão. A história se repete e, por tal, precisamos compreendê-la para aprendermos no presente os erros do passado a fim de evitá-los no futuro. A história é cíclica. E, olhando-a em retrospecto, muitas vezes parecer ser irônica – por vezes um escárnios, noutras uma piada de mau-gosto. Mas é inegável o fascínio que temos por compreender, afinal, de onde viemos.

Tomemos o…  controverso maestro e compositor germânico Wilhelm Richard Wagner. Controverso, veja você, aos olhos de hoje – à sua época, Wagner fora um renomado compositor de óperas, dramas musicais da mais alta estirpe, tendo obras atemporais como o “Coro da Noiva”, o fantástico prelúdio de “Tristão e Isolda”, ou a tetrologia em formato de ópera “O Anel de Nibelungo”. Composta e apresentada entre os anos 1850 e 70, a obra é baseada na mitologia nórdica e germânica e influencia e é influenciada por um momento de necessária construção da identidade nacional alemã, país recém-unificado e fervilhando em um caldeirão de nacionalismo.

Wagner e suas obras foram, por muitas décadas, um exemplo para o povo alemão. A construção forte das raízes míticas deste povo foi trabalhada profundamente na primeira metade do século XX, tendo sido apropriada, por fim, por Hitler – o que leva a muitos, erroneamente, a acusarem o compositor de um “nazista antes de seu tempo”. Tal anacronismo, contudo, é superado por sua obra, que transcendeu o tempo, elevando-o a um clássico da música erudita.

Uma das mais reconhecidas passagem desta grande obra é o prelúdio do terceiro ato da segunda ópera, nomeado de As Valquírias. Neste prelúdio, essas guerreiras nórdicas chegam cavalgando para transportar para o Valhala os heróis caídos em batalha. Uma posição de destaque, de mérito. Mas, como sempre coube historicamente às mulheres, de subserviência. Pois a história, ela é cíclica. Até o exato momento em que deixa de sê-lo.

*Este episódio especial, assim como tantos outros projetos vindouros, só foi possível por conta do Patronato do SciCast. Se você quiser mais episódios assim, contribua conosco!*


Textos e fontes:

Na fundação do que hoje conhecemos por Atenas, ao votarem para escolher entre Netuno e Minerva, as mulheres levaram os homens a errar, irritando o deus dos mares. Para apaziguá-lo, aceitaram nunca mais votarem ou mesmo serem consideradas cidadãs atenienses. (Marco Varrão em Agostinho de Hipona, A Cidade de Deus)

Lembre-se das damas e seja mais generoso a elas que seus ancestrais. Lembre-se que todos os Homens seriam tiranos se pudessem. Se carinho e atenção não forem dados às damas, nós estamos determinadas em fomentar uma rebelião. (Abigail Adams)

As mulheres não devem votar porque há pouca dúvida que a vasta maioria das mulheres não tem desejo de votar. (Grace Saxon Mills)

Eu já alertei contra o costume de confinar meninas às suas agulhas e fechá-las de toda a vida política e civil; pois ao estreitarem suas mentes, elas tornam-se incapazes de serem plenas. Eu não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre nós mesmas. (Mary Wollstonecraft, Uma Reivindicação aos Direitos da Mulher)

As mulheres não devem votar porque todo o governo se estabelece na Força, a qual as mulheres, débeis física, moral e socialmente, são incapazes de contribuir (Grace Saxon Mills)

Fomos nós, as pessoas; não nós, os homens brancos; nem ainda nós, os homens; mas nós, todas as pessoas, que formaram a União. E nós a formamos não para dar a benção da liberdade, mas para assegurá-la; não para metade de nós

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