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#687 - Meditações Marcus Aurelius Livro XII Parte 1/10
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Neste trecho do Livro de Meditações, o imperador destaca que muitas das coisas que buscamos já poderiam estar ao nosso alcance se abandonássemos obstáculos autoimpostos. Ele aconselha a desapegar do passado, confiar no futuro à Providência e focar no presente com piedade e justiça. A piedade implica aceitar a natureza e seus desígnios, enquanto a justiça envolve viver de acordo com a verdade, a lei e o valor relativo das coisas, sem ser afetado pela malícia alheia ou pelas opiniões dos outros.
Ele também compara a visão de Zeus, que percebe as almas em sua essência, livre das impurezas materiais, com a possibilidade do ser humano fazer o mesmo. Ao concentrar-se no que é intrínseco e se origina de si mesmo, ele sugere que podemos nos libertar de problemas e aflições relacionados à materialidade, como corpo, roupas, moradia e reputação.
Leia o trecho abaixo:
1. Todas essas coisas que você busca alcançar por uma via cheia de curvas e rodeios: você já as poderia ter, nesse momento, se não insistisse em criar obstáculos para si mesmo.
Isto é, se conseguir se desapegar do passado, se entregar o futuro à Providência, e se preocupar em tomar conta apenas do seu presente, baseando-se unicamente na piedade [para com os deuses] e na justiça.
Através da piedade, aceitando tudo aquilo o que lhe coube da natureza, pois que ela as fez para você, e o fez para elas.
E, pela justiça, dizendo a verdade livremente e sem subterfúgios, vivendo em conformidade com a lei e com o relativo valor das coisas, não se deixando abater pela malícia alheia nem pela opinião ou pelo