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#667 - Meditações Marcus Aurelius Livro VIII Parte 9/10
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49. Não acrescente nada a ti mesmo que não lhe seja comunicado pela sua percepção imediata. Por ela você eventualmente sabe que fulano falou mal de você: mas ela lhe comunicou apenas isso, não lhe ordenou que se afligisse ou se irritasse.
Outro exemplo: percebo que meu filho está doente. Mas é apenas isso, não há indicação de que a sua vida esteja correndo perigo. Assim sendo, atenha- se sempre a sua percepção imediata, sem lhe acrescentar nada por sua conta ou fantasia, e nada lhe acontecerá.
A sua percepção, acrescente somente as reflexões vindas das sua experiência como homem e amante da filosofia, que conhece as relações e os enlaces de tudo o que transcorre neste mundo.
50. Este pepino é amargo? Jogue-o fora. Há espinhos no caminho? Esquive-se deles. E isso já basta; não é preciso acrescentar a pergunta: “Por que existem essas coisas no mundo?”
Aliás, rirá de ti o estudioso da natureza, como ririam o marceneiro e o sapateiro, se você os repreendesse por encontrar em suas oficinas as sobras dos materiais usados nos seus trabalhos. Na realidade, eles até têm onde as despejar, enquanto a natureza universal não tem lugar fora [de si mesma]. O admirável em sua arte é que, tendo traçado os seus próprios limites, mesmo quando tudo dentro deles parece corrompido, velho e imprestável, ela os transmuta em novos elementos em si própria, de modo que dessas mesmas coisas [antigas] criam-se outras novas, e assim ela não precisa de substâncias externas nem de um lugar para despejar detritos.
À natureza basta, portanto, o seu próprio espaço, a sua própria substância